Crônica de um quarto branco

O sol brilha lá fora. Vejo seus raios invadindo o quarto através da pequena janela de vidro com cortinas repletas de rosas brancas. Mas não sinto seu calor. Não do lado de dentro. Faz um tipo de frio estranho por aqui, daquele que a gente sente antes percorrer todo o corpo internamente. A janela continua no mesmo lugar, o sol é que vai se afastando, o passar do dia vai mudando suas cores. Preciso me despedir dele, por hoje, claro. Como no refrão da canção clichê, eu sei que ele vai voltar amanhã. Caminhar é bom, e você passa a dar valor a cada passo quando precisa ficar um bom tempo deitado ou sentado. Então trato de realizar a deliciosa tarefa de me levantar. Hora de sair de dentro da caixa quadrada com cortinas de rosas brancas, hora de encarar o sol de frente. E que maravilha! Batendo de encontro à minha pele, revitalizando meu corpo, minha mente, deixando de presente no meu rosto seu calor e um sorriso.

Ai, essas pequenas coisas! Precisamos nos habituar a reparar mais nelas…