Desabafo sobre o setembro amarelo
— O quanto você enxerga o outro?

Eu gostaria de fazer um desabafo sobre a campanha deste mês, que tem como objetivo conscientizar todos sobre o suicídio e incentivar a conversa, a compreensão. Embora eu acredite ser de extrema importância a grande mobilização, dentre meu convívio tenho algumas críticas sobre…
As pessoas são hipócritas e egoístas. E sim, neste momento estou generalizando. Me deixa triste pensar que a maioria das ideias que estão compartilhando, não é verdadeira. Quantas vezes você realmente escutou quando alguém disse que não estava bem? E quando digo escutou, é escutar de verdade, de coração, com EMPATIA. Não é “vai passar, é cansaço”, “tu pega um ônibus, eu pego dois”, “tem gente que passa por tanto mais e não fica assim”. Cansaço eu sei o que é. Gente que passa por dificuldades eu sei que tem. Eu só não posso ignorar meus problemas achando que não são importantes.
Cada vez mais entendo que cada pessoa tem problemas diferentes, mas NUNCA menor do que o problema do outro. Percebi e aprendi isso depois de longas conversas com a psicóloga que me acompanha (inclusive agradeço muito por ter condições de pagá-la), sobre entender meus verdadeiros anseios, e que NENHUM deles é menor que o do outro.
Mesmo que eu saiba o quanto sou privilegiada, já me senti num rumo que não tinha luz, sem esperança. Já senti agonia, medo de dormir. Já senti coisas que nem saberia identificar, muito menos explicar. Já senti o que é não ter forças para levantar da cama, de sair do quarto, de não querer ver o sol e eu amo o sol. Me senti uma estranha, me senti perdida, fria. Eu me sinto sozinha. SOZINHA. Como se nada fizesse questão de tá do meu lado. E eu tento me encaixar. Toda hora. Com isso tudo, me pergunto, alguém já quis vir e ficar comigo? Conto essas pessoas em 3, 4 dedos da minha mão.
E aí pergunto novamente, o quão verdadeiro é a tua ideia de estar disponível para conversar? você enxerga o outro? Quis falar sobre isso porque já questionei minha importância de continuar aqui, continuar fazendo o que eu faço, continuar sendo o que eu sou. Eu segui, pelas poucas pessoas que ficaram do meu lado e pela minha própria força. Mas me dói, me dói muito ver pessoas que falam como se te enxergassem, mas não enxergam nem a si mesmos.
Única coisa que peço, neste setembro e em todos os outros meses do ano, que tentem ser verdadeiros, que tentem OLHAR, ENXERGAR o outro. Não é besteira. Não é drama. É dor.
