A arte de (não) contar histórias

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Jul 20, 2017 · 2 min read

Ontem terminei de ler um livro incrível, esse aí de cima. Que só terminou incrível porque eu tinha acabado de sair de um curso de filosofia, então tinha fresco na mente que as boas histórias não são aquelas que nos são explicadas, que entendemos, mas sim aquelas que nos atravessam, que nos deixam com ares de que aprendemos, mesmo que não façamos ideia do que ou não possamos passar adiante esse aprendizado.
Talvez por isso eu já tenha cansado de Harry Potter, essa trajetória do herói tão bem delineada, há dez anos: uma história, tão previsível como todas as outras, com o diferencial de se passar em um outro mundo, mas levar absolutamente todos os valores definidos nesse nosso mundo, valores com propósitos vazios que são elevados a uma potência que jamais terão. E que no final, o bonzinho vence o malvado. Não quero dizer que contar essas histórias seja fácil. Não é. Mas é um trabalho que pode ser aprendido.
Escrever livros sem contar uma história, sem começo, meio e fim, sem moral, sem mocinho e vilão, isso não pode ser aprendido. Esses livros do escritor e do leitor do afeto, os livros que te tocam, te levam, te absorvem para um mar de forças do além do que percebemos. Livros que não explicam, não precisam e assim se fazem morada do aprendizado, instrumento da elevação da potência do ser. Mudei depois do livro, não sei o que.

As putas do livro não são ninguém, além de putas. Do ambiente putas, do conceito putas. São nada menos do que o efeito que causam nas pessoas, direta ou indiretamente. O efeito que causam no chão que pisam, a potência de mudar quem as olha, quem as toca, quem escuta falar sobre elas. É aí que está o protagonismo do livro. As demais personagens servem para te contar a história. Do mundo, de alguma forma. Das forças sobre as quais não falamos, porque não queremos, ou não podemos. Das nossas vontades mais instintivas. Do que existe antes dos limites da socialização. Do que existe antes de abrirmos os olhos todo dia.

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Perdida entre a felicidade e a verdade.

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