Adeus, Brangelina. Olá, Esperança.

De todas as pressões cotidianas que sofro da sociedade, entre as que mais me incomodam. estão definitivamente as que vieram no combo mulher+casamento. Romance, fidelidade e monogamia e infinitude. De mim, uma grande defensora da desconstrução de todos esses verdadeiros palavrões. Ontem, acompanhamos mais uma derrota dessa massa invisível que me cobra a manutenção desses alicerces enferrujados: noticiaram, de uma hora pra outra, o fim do casamento entre Brad Pitt e Angelina Jolie. Aquele mesmo, que surgiu de uma paixão arrebatadora nos sets de filmagem, que dividiu o mundo de uma vez entre Jennifer Anistons e Angelinas , que mostrava sua vulnerabilidade nas revistas, que era exemplo de pais modernos.

Boom! Terror! Pânico! Eles não estavam preparados. Eles que acham que o Happn vai resolver suas vidas, que tem certeza que no dia que encontrarem sua alma gêmea, poderão respirar aliviados. Em dois minutos, começou a CPI Brangelina, a busca desesperada pela razão do término. Eles não aceitam o final de um relacionamento hollywodiano superador de obstáculos e tem plena convicção de que o fim só pode ter motivo em outro amor romântico. Pesquisam também, a possibilidade de ter algum vício, mania ou comportamento abusivo novo no pedaço. Tem que ter um porquê. Deito a cabeça no travesseiro e com um sorrisinho involuntário de canto de boca, consigo captar os pensamentos: “Tragam de volta minhas esperanças de achar um amor que dure pra sempre.”.

Será que se eu tentar explicar pela centésima vez que eles entenderam tudo errado, vai fazer diferença? Tento telepaticamente gritar de volta: “Casamento não depende de amor. Felicidade não depende de casamento.” E de repente, o canal que nos ligava começa a se fechar. Eles não querem me ouvir. E cada vez que eu tento contar uma historia que exemplifique uma crítica ao meu relacionamento, sou calada por “você tem o melhor marido do mundo” ou “você tem sorte de ter achado alguém , olha essa família linda, não pode reclamar”. Por fim, eles cortam o fio de transmissão. Foi silenciada toda a verdade sobre amor romântico, casamento e família tradicional (no sentido de normatividade e não só de conservadorismo). Tudo bem, eu entendo. Eles preferiam o casal Brangelina ali, em estado vegetativo, respirando por aparelhos, mas pelo menos, existindo para apreciação alheia. Não querem saber que o casamento não é a salvação. Não querem saber que o amor não cura ninguém. Que o o risco de fracasso está ali iminente porque pra ter um casal, precisamos de dois indivíduos que já existiam antes.Eles vão continuar buscando um motivo que vá além disso, pra ver se a esperança volta ali pro ladinho deles.

Sinto muito, se você é um desses que está querendo saber onde ela há de ter se metido, eu te conto. Ela não está perdida. Tá aqui, bem aqui do meu lado, me dizendo que um dia vão parar de me cobrar o “e foram felizes para sempre.”.