Quando eu não me apaixonei

Apaixonar-se é uma escolha. Muitas vezes temos a estranha sensação de que de tudo que aconteceu, aquela paixão arrebatadora foi o início. Começou com um clichê de uma explosão de nossos olhares se cruzando e o arrepio que sentimos do pé até a nuca em brilhante sincronia. Mas, pera. A gente se conheceu e mal se enxergou. Você discutia com sua atual ex no telefone e falava sobre o filme cult demais que ela tinha alugado. Eu achava surreal porque aquele filme não tinha nada de cult. Enquanto isso, eu fazia cookies com minhas amigas, naquela cozinha de outra casa, de outra cidade, para as quais nunca mais voltamos. Lembro de ter te dado “tchau” e querer te ver de novo, mas nem tanto. Eu não tava apaixonada, nem você. Por dias eu deitei a cabeça no travesseiro, inconscientemente pensando no próximo passo. Eu me apaixonaria? Eu te apaixonaria? Sim. Sim. Tava tudo pronto. Era o encontro. Eu já lembrava daquele dia que não tinha acontecido nada e fazia acontecer. Eu te olhava diferente e sentia uma pontada na nuca. Era um sinal. Você não era qualquer um. Naquele dia mesmo, no primeiro dia, eu fui pra casa pensando em te procurar, pesquisar tudo sobre a sua vida, perguntar pra quem soubesse, se a sua liberdade ainda podia ser minha. Muito dias se passaram antes da gente voltar a se encontrar e eu duvidar novamente do nosso futuro. Quando nossos mundos colidiram de novo e a gente não precisava mais dar satisfação pra ninguém, fui pescar um pensamento que aguardava no cantinho da minha mente, encolhido. Você não era qualquer um. Era pra ser você, eu soube desde o primeiro minuto. Eu voltei pro início e foi amor à primeira vista. Eu sei que foi. Eu escolhi te amar e ser amada por você. Você escolheu se apaixonar e se jogar na minha vida como uma criança mergulhando numa piscina de bolinhas coloridas. Começou no primeiro dia, quando eu não me apaixonei.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Isa Freire’s story.