vinte e sete.
Maria Gambardelli
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Vinte e sete. E você ainda não parou de se comparar com outras mulheres mesmo que fictícias. E as outras mulheres são o inferno das mulheres. Na verdade, como a gente as vê. Esse é o nosso demônio. Nossa prisão. Esses “defeitos” que a sociedade nos cospe, só são horrorosos em nós mesmas. Nas outras, eles são empoderamento, são amor, são experiência. Sim. A gente vai envelhecer. E por mais que a gente se esforce pra parar o tempo, vão aparecer rugas, celulites, estrias, varizes. Ou não. O nosso peito vai cair, a nossa bunda vai cair. Ou não. Depende de muitos fatores. Não depende só do quanto a gente não quer que isso aconteça. Não ache que é possível se manter com o corpo de uma menina de dezesseis anos, que nem esse pessoal do EGO, se a sua vida é mais importante pra você do que a sua aparência. Uma hora você vai “deslizar” e uma celulite vai aparecer. Não pira. Ninguém é melhor que você porque não tem celulite. Você se acha melhor que alguém que tem mais celulites que você? Você não é. Não reproduz esse discurso tóxico que só prejudica a gente, que só vai fazer a gente trocar o prazer de se sentir bem, pelo prazer de se sentir melhor que os outros.

Acredito que ainda haja uma confusão na sua luta contra essa competição, mas estamos caminhando. Juntas.

Aliás, você sabe que ninguém teria uma resposta melhor que ele, né? Homem algum está preparado pra lidar com as frustrações sem fundamento de uma mulher que a vida toda consumiu os frutos dessa ditadura da beleza eurocêntrica em cada segundo da sua vida, desde que se entende por gente. Como eles entenderiam uma necessidade que nunca lhes foi imposta, que pra eles, que sorte, não existe?

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