Sunday Night Feelings


O tédio de domingo a noite as vezes vem como uma promessa de virada, um sentimento de que algo mais excitante, mais interessante, pode acontecer. É quando você não espera que as coisas surpreendem, é quando você não tem expectativa que o inesperado te pega de jeito.

Ela de pijama, querendo alguma coisa fora do comum. Um entretenimento, uma mensagem, só pra ter assunto pra sonhar. Ele online. E, talvez, com a mesma expectativa.

Oi. Saudade. Provocação. Resposta. Brincadeira. Mais provocação. Outra resposta. Atitude. Água no rosto. Mouthwash. Short. Blusa. Cabelo. Música ambiente. Campainha. Falta de ar. Olho fechado.

E um abraço que dura pra sempre. Ele confessa. Ela sorri. Por um segundo aquele amor é eterno. E os dois sabem onde vai terminar: num infinito, numa lembrança, numa fantasia.

É mão com mão, rosto no peito, perna com perna, olhos fechados, respiração acelerada e coração batendo forte. Uma onda quente, crescente. E nessa hora a gente promete, jura, acredita. Nessa hora tudo é pra sempre porque não existe o amanhã. Boca com boca, finalmente. And there’s no turning back. Dois viram um. O mundo desaparece. Explode. Gostoso. E de novo, e de novo. Até passar a saudade, acabar a vontade e extinguir a força. Depois é só o sossego. De novo a mão com mão, rosto no peito, perna com perna. E um sono tranquilo.

De dia o que sobra é a trilha sonora. O sonho acordado. A lembrança e a saudade que é a falta do que nunca realmente aconteceu. Falta da fantasia do que podia ter sido. Da promessa de virada. O café, a maquiagem e o mundo real.