Embora os rompantes sejam o esplendor da garganta, as nuvens cinzas apertam o calo na voz de quem abafa. A resistência queimou, daqui em diante é água gelada na cara de vida e carinho de bicho manhoso que não liga pra cheiro ou cor.

A argila endurecendo a pele e rachando as certezas, pinicando cada ponto sem nó. Retornando num ciclo, a mesma xícara lascada e as rosas vermelhas que hoje acompanham uma vela firmada.

Sei lá quantos litros de café!

Carece ter coragem e pouca sobriedade pra encarar a realidade — irremediável, líquida, escorrendo sobre os afazeres deixados no canto e unhados, já que não há distinção — mesa, chão, janela — é tudo a mesma coisa quando bate o cansaço.

O silêncio no corredor arrupia. Se os demônios passeiam nesses dias frios, por sorte sentam à mesa pano de chita e gargalham na minha cara. E mais: sequer ousam interferir na alegria que sobra tamanha desventura atemporal. É um eterno retorno.

A questão é que se piso o chão diversas vezes, nenhuma delas permaneço intacta. Hora é o ciático, às vezes joelho, algo estala. Um brainstorm de caminhos se abre à cada passo, que parecem direcionados, mas são ludibriados pra caso o capeta queira discordar.

Bem vindo, outono!

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