Sobre ser opção e sobre fazer parte

Quem me vê tirando sarro no Snapchat ou fazendo carão no Instagram não acredita que eu tenha uma autoestima de merda. Mas eu tenho. Frequentemente sinto que nunca saí dos dezessete anos. Ter morado sozinha e, consequência disso, ter conquistado minha liberdade sexual foi muito libertador para minha insegurança, embora ainda existam alguns dias ruins (e outros bem péssimos).

Em algum momento dos últimos meses eu aceitei e abracei a minha vulnerabilidade (depois de assistir a essa ted talk da incrível Brene Brown). Aprendi a ser aberta e honesta com meus sentimentos. Ainda há o medo de ser rejeitada, a falta de confiança, as decepções que têm um efeito pesado sobre mim e que me fecham dentro do edredom sem muito esforço.

E no meio disso tudo eu comecei a me relacionar com um tipo complicado de rapaz: aquele que é muito inteligente e igualmente gato, que sabe e por isso tem um ego que é um horror de lidar. Com o menino em questão eu havia saído míseras duas únicas vezes (a primeira e a última). Certa noite, depois de criticar delicadamente a sua arrogância em algum comentário desnecessário, ele me disse que eu não era a opção mais bonita dele. Beleza, cara. Não tô aqui pra ser bonitinha pra ti, pensei. Até tava, mas foda-se. Não to aqui pra ser bonita. Nem opção. Muito menos “dele”.


Na maioria das vezes me rotulam de mimada e dramática, porque tenho uma família e amigos incríveis, super presentes e prestativos, costumo sair com caras legais e bonitos. Participo de projetos que fazem eu me sentir importante. Enfim, na maior parte tempo eu me sinto amada, às vezes não exatamente por quem eu queria, mas não me falta carinho. O foda é que é uma coisa bem mais profunda. Não ser a prioridade de alguém é bem pesado e abala muito, se parar para pensar. Sabe?! A escolha número 1, o plano A, o “eu vim porque você veio”, coisa e tal.

A partir disso eu peguei uma preguiça enorme de sair para dates, de conhecer caras novos, de dar a cara rebocada a tapa. Pela baixa autoestima, pelo medo da rejeição, mas principalmente por essa história de ser opção e vulnerabilidade. Eu nunca tive dúvidas de que não era, de fato, a opção mais bonita dele. E ok. Isso realmente nunca tinha sido uma prioridade, muito embora eu sempre me enfeitava inteira pra qualquer almoço despretensioso com qualquer um. A dor estava mesmo era na palavra opção. Eu era opcional, descartável, não fazia parte e não era importante.

E daí volta pra Brene Brown, que afirma que nós precisamos de conexão e que é isso que dá proposito e significado a nossas vidas (SEGURA ESSA MARIMBA). Queremos ter muitos amigos, queremos fazer parte, queremos um relacionamento pleno e benéfico. Não que a gente precise ir pra balada todo final semana procurando o cara com quem teremos um filhos e um cachorro. Ou três filhos e muitos gatos, que é o meu caso. Mas a gente quer e precisa fazer parte, não ser só mais um número no meio desses sete bilhões de gentes (e nem na agenda de cara babaca).

No entanto, mesmo com essa coragem toda de tentar sempre, com braço que eu torço sem muito orgulho, com o pedestal que eu construo para os meus relacionamentos, com a prioridade que eu dou pra minha única opção, frequentemente eu volto pra debaixo do edredom.

Eu, que tenho esse forte sentimento de amor e pertencimento, que incluo todo o mundo nas minhas funçõezinhas e coloco debaixo da asa, me mantenho desconectada pelo simples medo não ser merecedora da conexão dos outros. De não ser a prioridade, de ser a opção-não-mais-bonita.

Aí eu encontro essas talks de pesquisadoras inspiradoras, conheço caras com papos legais, passo o final de semana com meu pais e volto a pensar não no que eu estou fazendo de errado, mas por quem eu estou fazendo e do quê eu estou fugindo.

Agora eu só quero acertar rumo novamente.