fulano/Heitor Godau

Viver de manchete

A notícia de que o Washington Post foi vendido para o fundador da empresa ponto-com Amazon e também a declaração do próprio Jeff Bezos em carta aberta aos funcionários do jornal dizendo: “Com a internet revolucionando a imprensa, o jornal terá que inventar e experimentar”. Fez com que escrevesse sobre a forma em que passamos a consumir notícia neste século. 


Antes das redes sociais, a notícia online não era muito diferente da mídia impressa, afinal ambas tratavam de textos, os internautas ainda se davam o trabalho de ler as publicações na íntegra mesmo que resumidas e faziam uso dos comentários para expressarem suas opiniões sobre o assunto. Não foram todas as redes sociais que ditaram a revolução da mídia online, que irei apresentar logo abaixo, empresas como: Orkut, HI5, Sonico, entre outras, nada contribuíram para esse grande retrocesso.

Um simples tweet pretencioso de 140 caracteres é capaz de gerar reações equivocadas em muitos usuários que se negam a apertar no link e conferir a notícia por completo, o mesmo acontece com as chamadas fan pages do Facebook, os internautas leem três linhas de manchete acompanhadas de uma fotografia e logo começam discussões intermináveis. Esse comportamento também mudou a forma em que lemos notícia nos portais online, apenas passamos o olho sobre o que é destaque e temos a falsa sensação de estarmos muito bem informados e isso pode piorar na medida em que nos tornamos fiéis a apenas uma fonte, sem confrontar ideias e pontos de vista, deixando-se ser manipulado.

Essas inovações acompanhadas de experimentos citados por Bezos devem ser capazes de fazer com que as pessoas voltem a ler e principalmente, que façam bom uso da internet para formarem suas opiniões de forma independente, ou seja, trata-se de uma nova visão baseada em uma sociedade livre.

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