A MELHOR COISA QUE EU JÁ APRENDI

LISTA COMPLETA DE REFERÊNCIAS APÓS O TEXTO

Tradução em inglês do texto, aqui.

Algo especial aconteceu e eu quero agradecer. Foi em 2016, na verdade, que eu recebi o aprendizado mais bonito e feliz de toda minha vida.

Em 2016, eu descobri coisas que mudaram profundamente minhas escolhas. Eu descobri que muito daquilo que eu considerava saudável ou neutro, desde que em moderação, não é bem assim. Eu aprendi que a Organização Mundial de Saúde classificou a carne processada como cancerígena, no mesmo grupo que o cigarro, e a carne vermelha, como potencialmente cancerígena, no grupo logo abaixo do cigarro [1] [2]. Descobri que a Escola de Saúde Pública de Harvard diz que o leite não é a única nem a melhor fonte de cálcio e que podemos viver sem leite, mas que, se escolhermos ingeri-lo, devemos limitar essa ingestão já que altas doses podem aumentar os riscos de câncer de próstata e, talvez, de ovário e, paradoxalmente, aumentar os riscos de enfraquecimento dos ossos [3] [4]. Aprendi também muitos outros fatos chocantes sobre nossa alimentação que se fosse escrever aqui, esse texto viraria um livro. Mas que estão reunidos em documentários como o Forks Over Knifes [5] e What The Health [6] (esse último, disponível no Netflix).

Eu aprendi que uma dieta baseada em vegetais integrais é a única que, além de tratar, já chegou a reverter casos de doenças cardíacas [7] e também é um importante fator de tratamento para muitas outras doenças [8]. Eu descobri informações de um dos maiores estudos de nutrição já conduzidos, o Estudo da China, que reúne décadas de pesquisa e foi liderado por pesquisadores de universidades como Oxford, Cornell e da Academia Chinesa de Medicina Preventiva. Esse estudo revela que quanto mais próximo estivermos de uma dieta exclusiva de vegetais integrais menores serão nossos riscos de doenças crônicas [9].

Eu sempre achei que produtos de origem animal eram necessários para a nossa saúde, mas descobri que o próprio Ministério da Saúde já admitiu que esses produtos não são imprescindíveis para nós [10 - p.84]. E que grandes entidades de classe, como a Associação Americana de Nutrição e Dietética [11], a organização de Nutricionistas do Canadá [12] e a Associação Britânica de Dietética [13], já emitiram posicionamento esclarecendo que uma dieta sem carne e mesmo sem nenhum produto de origem animal é saudável para nós em qualquer estágio de vida .

Mas eu descobri mais. Eu descobri também o quão essa indústria é nociva para o nosso planeta. Ela é a maior responsável pela emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, mais que todos os meios de transporte juntos [14]. E é também uma das principais responsáveis pelo aquecimento global [15] e pelo desmatamento da Amazônia [16]. Eu aprendi muitos outros fatos chocantes sobre o impacto dessa indústria que estão reunidos no documentário Cowspiracy [17], também disponível no Netflix.

Não me espanta que homens como o Bill Gates tenham interesse em empresas que desenvolvem produtos à base de vegetais [18] e que ele e Richard Branson acreditem que o futuro da alimentação será baseada em plantas [19] [20]. Afinal, órgãos como a ONU [21] [22] e universidades como Oxford [23] já alertaram que o futuro da alimentação precisa ser à base de vegetais se quisermos controlar os impactos ambientais e salvar vidas.

E como se não bastasse a questão ambiental, eu entendi também a conexão íntima entre a produção de produtos de origem animal e a fome no mundo [24]. Eu descobri que, em 1997, já existia um estudo da Universidade de Cornell mostrando que apenas o que é dado para os animais comerem nos EUA já seria o suficiente para alimentar 800 milhões de pessoas [25]. Isso é mais do que o Banco Mundial acredita ser o número de pessoas abaixo da linha da miséria - estimado em aproximadamente 767 milhões em 2013 [26].

E eu tinha ainda mais a aprender. Aprendi a gravidade do problema da exploração da mão de obra em condições degradantes nessa indústria [27] [28]. Descobri que esse setor expõe seus trabalhadores a um risco 596% maior de acidentes por queimadura e um risco 743% maior de lesões no pulso, comparados com qualquer outro setor. Além disso, sobre os riscos de transtornos mentais: enquanto na população em geral a incidência é de 209 casos em cada cem mil trabalhadores, na indústria da carne e derivados esse dado sobe para 712 casos em cada cem mil trabalhadores [29].

Embora tudo isso seja revoltante, não foi nada disso o que mais me sensibilizou. Sabendo que isso é prejudicial para nossa sociedade e nosso planeta e desnecessário - talvez, até nocivo - para nossa saúde, o que mais me tocou foi finalmente ver todas as práticas radicais e, absolutamente regulamentadas, para que esses produtos sejam feitos. Eu vi o desespero no olhar do bezerro que é afastado da sua mãe para que possamos beber o seu leite [30]. Eu olhei o terror dos cercados em que os bezerros são confinados (que a indústria chama de “berçário”) até terem idade para assumirem o lugar das mães ou, se forem machos, para em poucos meses virarem vitela [31]. Eu vi todo o horror da indústria do leite [32]. Testemunhei o medo do boi que espera sua vez no corredor do abate [33- 44s]. Vi o desalento no olhar dos animais no caminhão de transporte para o abatedouro [34]. Ouvi os gritos dos porcos que passam pelo abate “humanitário” dentro de uma câmara de gás [35]. Eu vi o horror no olhar dos pintinhos na esteira de separação dos machos das fêmeas para que os machos, que não têm serventia para a indústria do ovo, possam ser descartados, jogados vivos em um triturador [36]. Eu entendi que nenhum desses produtos pode ser produzido sem uma grande dose de sofrimento e que nada humanitário acontece dentro de um abatedouro. E, eu nem consegui ver os documentários que mostram todo o processo, como Earthlings [37], Farm to Fridge [38], Lucent [39] e Land of Hope and Glory [40].

Algo especial aconteceu. Em 2016, eu aprendi o que raios era veganismo, um modo de vida que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração de, e crueldade com, animais [41]. Eu entendi que com uma única decisão eu poderia estar mais perto, se não da melhor alimentação para a minha saúde, com certeza, uma das melhores, poderia também reduzir drasticamente minha contribuição para os principais problemas ambientais do planeta, poderia contribuir para a redução de uma das causas da fome no mundo e, mais importante, poderia ainda me abster de sustentar uma das indústrias que mais explora o trabalho humano e que também massacra bilhões de animais todos os anos. Tudo isso, apenas excluindo produtos de origem animal do meu consumo e me tornando vegana com a ajuda, inclusive, de receitas deliciosas [42] [43] [44] [45] [46] [47] [48] e muitos outros sites e canais veganos que tratam de todos os aspectos do veganismo [49] [50] [51] [52] [53] [54]. Tão simples.

E esse foi o melhor aprendizado que eu tive em todos meus anos e que eu quero agradecer. Foi a melhor decisão que eu tomei na minha vida. Eu nem consigo falar de veganismo sem soar meio brega como uma adolescente apaixonada. Pois nesse um ano de erros e acertos e muitos aprendizados, eu pude fazer o meu melhor para evitar ao máximo pagar por todo o sofrimento desnecessário que é causado por essa indústria. E eu acho que esse é um jeito muito feliz de se viver.

Por isso que eu resolvi juntar o máximo de informação que conseguisse em pouco mais de mil palavras e contar pra todo mundo que eu conheço. Porque talvez, você, como eu fiquei, também fique espantado de descobrir tudo isso. Talvez você também seja meio São Tomé e precise acessar as fontes, ler os estudos e ver os documentários. E eu acho que você está certo e nessa lista aqui embaixo tem um bom começo, se você quiser. Talvez você, como eu, também fique empolgado com a ideia de que não precisa consumir produtos vindos de animais, que você pode libertar todos eles e se libertar também de pagar por tudo isso.

Talvez, sabendo dessas coisas, no ano que vem você também esteja comemorando por ter se tornado mais uma pessoa que virou vegana pelos animais, pelo fim da fome no mundo, pelo planeta e pela sua saúde. Afinal, como disse o ativista vegano, James Aspey, “Isto [o veganismo] não é uma escolha mundana de uma dieta, é a diferença entre escravidão e liberdade, entre tortura e paz, entre morte e vida […] Uma pessoa faz diferença e, juntos, nós estamos mudando o mundo” [55]. :)


REFERÊNCIAS:

[1] WHO LIST OF CLASSIFICATIONS, VOLUMES 1–119 (English) http://monographs.iarc.fr/ENG/Classification/latest_classif.php

[2] WHO. Q&A on the carcinogenicity of the consumption of red meat and processed meat (English) http://www.who.int/features/qa/cancer-red-meat/en/

[3] Harvard. School of Public Health. Calcium and Milk (English) https://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/what-should-you-eat/calcium-and-milk/

[4] Harvard. School of Public Health. Healthy Eating Plate & Healthy Eating Pyramid (English) https://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/healthy-eating-plate/

[5] Forks over Knives https://www.forksoverknives.com/

[6] What the Health (disponível no Netflix) (available on Netflix) http://www.whatthehealthfilm.com/facts/

[7] Book: Prevent And Reverse Heart Disease (English) http://www.dresselstyn.com/site/books/prevent-reverse/about-the-book/

[8] Book: How Not To Die (English) https://nutritionfacts.org/book/

[9] Book: The China Study (English) http://nutritionstudies.org/the-china-study/

[10] Governo Brasileiro. Ministério da Saúde. Guia Alimentar 2016. p. 84 (Português) http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/05/Guia-Alimentar-para-a-pop-brasiliera-Miolo-PDF-Internet.pdf

[11] Position of the American Dietetic Association: vegetarian diets. (English) https://www.andeal.org/vault/2440/web/JADA_VEG.pdf

[12] Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada: Vegetarian diets (English) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12778049

[13] British Dietetic Association confirms well-planned vegan diets can support healthy living in people of all ages (English) https://www.bda.uk.com/news/view?id=179

[14] FAO/UN. Livestock’s Long Shadow: environmental issues and options (English) http://www.fao.org/docrep/010/a0701e/a0701e00.HTM

[15] World Watch. Livestock and Climate Change: What if the key actors in climate change are cows, pigs, and chickens? (English) http://www.worldwatch.org/files/pdf/Livestock%20and%20Climate%20Change.pdf

[16] World Bank. Causes of Deforestation of the Brazilian Amazon (English) http://documents.worldbank.org/curated/en/758171468768828889/pdf/277150PAPER0wbwp0no1022.pdf

[17] Cowspiracy (disponível no Netflix) (available on Netflix) http://www.cowspiracy.com/facts/

[18] Forbes. The Science And Business Of Beyond Meat — The Bill Gates-Backed Burger Of The Future (English) https://www.forbes.com/sites/stevenbertoni/2017/08/22/podcast-the-science-and-business-of-beyond-meat-the-bill-gates-backed-burger-of-the-future/?utm_source=FBPAGE&utm_medium=social&utm_content=1048462799&utm_campaign=sprinklrForbesMainFB#51f183324987

[19] Forbes. Richard Branson Makes A Bold Prediction About The Future Of Food (English) https://www.forbes.com/sites/michaelpellmanrowland/2017/09/27/richard-branson-food-prediction/#65f653802021

[20] Bill Gates Blog. Future of Food https://www.gatesnotes.com/About-Bill-Gates/Future-of-Food

[21] The Guardian. UN urges global move to meat and dairy-free diet (English) https://www.theguardian.com/environment/2010/jun/02/un-report-meat-free-diet

[22] UNEP/UN. Assessing the Environmental Impacts of Consumption and Production (English) p.82 http://www.unep.fr/shared/publications/pdf/DTIx1262xPA-PriorityProductsAndMaterials_Report.pdf

[23] Oxford University. Future of Food. Plant-Based Diets Could Save Millions Of Lives And Dramatically Cut Greenhouse Gas Emissions (English) http://www.futureoffood.ox.ac.uk/news/plant-based-diets-could-save-millions-lives-and-dramatically-cut-greenhouse-gas-emissions

[24] Mercy for Animals. What Are You Doing To Help Stop World Hunger? (English) https://www.facebook.com/mercyforanimals/videos/10155283206709475/

[25] Cornell University. U.S. could feed 800 million people with grain that livestock eat, Cornell ecologist advises animal scientists (English) http://news.cornell.edu/stories/1997/08/us-could-feed-800-million-people-grain-livestock-eat

[26] World Bank. Poverty (inglês) http://www.worldbank.org/en/topic/poverty/overview

[27] ONG Repórter Brasil. Vida de Gado (Português) http://reporterbrasil.org.br/boi/

[28] ONG Repórter Brasil. Documentário Carne, Osso (Português) https://vimeo.com/117457305

[29] ONG Repórter Brasil. Técnico da Previdência Social mostra estatísticas sobre acidentes em frigoríficos (Português) (English subtitles) https://www.youtube.com/watch?v=dqKPlv1GxII

[30] The price of milk, cheese (dairy) and veal — separation of a cow and her calf (English) https://www.youtube.com/watch?v=SYJPbrxdn8w

[31] Dairy is scary. The public are waking up to the darkest part of farming (English) https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/mar/30/dairy-scary-public-farming-calves-pens-alternatives

[32] DAIRY IS SCARY! The industry explained in 5 minutes (English) (legenda em português) https://www.youtube.com/watch?v=UcN7SGGoCNI

[33] Why Vegan? (Cena do boi no corredor do abatedouro em 44s) (English) https://youtu.be/y2k4NHjAP84?t=44s

[34] Police Protect Animal ABUSERS (English) https://www.youtube.com/watch?v=aYcRO_wDRMY&t=300s

[35] What Noise Does Bacon Make? (English) https://www.youtube.com/watch?v=sS1XHQ7hoXE

[36] WATCH: Baby Chicks Ground Up Alive at Maple Leaf Hatchery (English) https://www.youtube.com/watch?v=HN0g13kMk6s

[37] TERRÁQUEOS EARTHLINGS http://www.terraqueos.org/

[38] Farm to Fridge — The Truth Behind Meat Production https://www.youtube.com/watch?v=THIODWTqx5E (English) https://www.youtube.com/watch?v=CSIq0MAAXmg (Português)

[39] Lucent (2014) - full documentary https://www.youtube.com/watch?v=KArL5YjaL5U

[40] Land of Hope and Glory (UK ‘Earthlings’ Documentary) https://www.youtube.com/watch?v=dvtVkNofcq8

[41] The Vegan Society. Definition of veganism (English) https://www.vegansociety.com/go-vegan/definition-veganism

[42] Bosh TV (English) https://www.facebook.com/bosh.tv/

[43] So Vegan (English) https://www.facebook.com/wearesovegan/

[44] Verde is Better (English/Español) https://www.facebook.com/verdeisbetter/

[45] JunkFoodvegan Brasil (Português) https://www.facebook.com/JunkFoodVeganBrasil/

[46] Vegetarirango (Português) https://www.youtube.com/user/vegetarirango

[47] Presunto Vegetariano (Português) https://www.youtube.com/user/PresuntoVegetariano

[48] The Vegan Corner (English) https://www.youtube.com/user/thevegancorner

[49] Animal Rights: The Abolitionist Approach (English) http://www.abolitionistapproach.com/ / Veganos pela Abolição (Português) http://www.veganospelaabolicao.org/

[50] Go Vegan World (English) https://goveganworld.com/

[51] Bite Size Vegan (English) https://www.youtube.com/user/BiteSizeVegan

[52] The Vegan Activist (English) https://www.youtube.com/channel/UCE0yGL4Bgs2QNomOrslyLtw/videos

[53] Challenge 22 (English) https://www.challenge22.com/challenge22/

[54] Vista-se (Português) https://www.vista-se.com.br/

[55] This Speech Is Your WAKE UP CALL! (Citação em 44m55s) (legenda em português) https://www.youtube.com/watch?v=KHOcox2lvQo

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