Que tipo de adultos estamos nos tornando?

Sou uma migrante tecnológica. A primeira vez que acessei a internet tinha treze anos, aliás, que saudade daquele barulho de internet discada! Naquele tempo, já haviam Blogs, Fotologs, o falecido Orkut e o queridinho Msn. Participava pouco dessas comunidades e redes sociais da época. Apesar de colecionar alguns conhecimentos sobre a interwebs dos anos dois mil e pouquinhos, tive uma infância sem muito contato tecnológico. Amarelinha, pique-esconde e o caderninho de respostas estavam entre as brincadeiras e passatempos prediletos.

A partir da adolescência, entrei de cabeça nesse negócio de computador. Minha mãe ficava meio assim, afinal, não sabia nem como mexia naquele trem. O tempo foi passando e finalmente tornei-me refém da tecnologia. Quero dizer, o básico e um pouco mais eu sabia fazer! HTML e Photoshop viraram minhas obsessões por uns dois anos. Passado todo o frenesi, conectei-me ao Twitter, Facebook, Instagram e Whatsapp. Exatamente nessa ordem. Hoje não vivo mais sem eles. Me dá aflição em ficar mais de três dias sem checar uma rede social.

Ao estudar a Cultura Digital e de Massa (alô prova no sábado), fui incitada a refletir como tudo isso terá impacto na geração nativa da tecnologia. Ao pensar nisso, deparo-me com um sistema escolar bem anacrônico, cheio de falhas e aulas expositivas que, na boa, torram a paciência de qualquer um! Esse é o principal motivo de quase todo jovem ter aversão à sala de aula. Alguns até pensam que é perda de tempo, afinal, tanta coisa acontece lá fora que todo esse tempo “gasto” na escola não vale a pena. O mundo está ao alcance deles, em um clique. Todo o tipo de informação. As verídicas, falsas, sensacionalistas e as que não fazem sentido algum. A realidade, ficção, suspense e comédia passam pelos olhos em fração de segundos. Mas a internet é maravilhosa! É uma pena que uma minoria a utilize para abrir novos horizontes, pensamentos, posicionamentos e posturas.

Algo me deixa preocupada. Pensando bem, a Cultura de Massa invade a vida deles — e a de todos nós — de um modo feroz. Beba aquela vodca maneira, a cerveja verdinha com um design hipster, use as marcas da moda, o tênis maneirão, o perfume do astro teen e sei lá, o celular que está na moda e aparece sempre nas selfies. O que incomoda é essa nossa passividade e consumo exagerados. Quase todos em torno na tecnologia, do digital. Até parece que o bom senso da galera está se esvaindo a cada like.

O que eu quero dizer é: A cada dia que passa, fica mais difícil refletir, contestar, tentar entender um assunto, debater sobre os problemas, respeitar as opiniões. É tudo tão egocêntrico, tão cheio de posse e argumentos que nunca são explanados, pois a opinião de fulano é mais importante do que a de cicrano baseada nos retweets e likes. O que uma criança pensaria disso tudo? Crescer acessando toda essa guerra de autogratificação e opiniões que se esvaem em um segundo… O que serão das nossas crianças? Outra boa pergunta é o que acontecerá conosco? Que tipo de adultos estamos nos tornando?

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