Temos motivo para comemorar o Dia dos Professores?

Não é segredo para ninguém que a educação em nosso País está mais sucateada do que carro apreendido na vistoria. Além das péssimas condições de ambiente de trabalho, onde conta-se com o mínimo de material didático, também há as restrições a aulas em campo, escolas localizadas em área de alto risco sem a mínima segurança, abusos por parte de estudantes e pais, esgotamento físico intenso, perda da saúde mental e uma base salarial que não compensa em nada esses percalços. Isso sem citar o descaso de governos estaduais (alô, Rio de Janeiro) com o salário desses profissionais, que vivem sua profissão na corda bamba sem certeza de remuneração.

Como se isso não fosse o bastante, a Escola “Sem Partido, junto às “reformas” trabalhistas e educacionais, traz um retrocesso ainda maior ao desvalorizare reduzir o professor a um tutor de conhecimentos, apenas ensinando aplicações práticas de assuntos técnicos ao dia-a-dia. Isso vai contra o mínimo compreendido pela Pedagogia, onde o professor é mostrado como responsável por produzir e incentivar o pensamento argumentativo desde cedo — o que é visto como uma ameaça aos interesses governistas, portanto, uma subversão. Estamos em um ponto onde um professor é visto como um doutrinador sujo e perverso por não fazer nada além do seu trabalho como profissional e como ser humano. O professor é criado como quase um “agente de milagres” pela pedagogia universitária, mas ao entrar no mercado de trabalho, confronta-se com o contentamento e o esfriamento da dedicação profissional devido às diversas e constantes formas de desvalorização a esta classe profissional.

Infelizmente, não houve o que comemorar neste Dia dos Professores que se passou. A Educação está em um momento criticamente precário, por isso, dar os parabéns a estes profissionais seria uma heresia ímpar. Porém desejo a cada um bravura e intrepidez para continuarem sendo um pilar essencial na sociedade, ainda que tão desrespeitado. Meu respeito aos professores que não veem seus alunos como um tijolo no muro, mas como seres racionais com potencial para serem o que quiserem.