Oi, tudo bem?

Virei a esquina e respondi sim pra um antigo amigo da família: “tô bem”. Acontece que topar de surpresa na Regente Feijó com a Marcílio de Campos com suas rugas que amadureceram e se pronunciaram ao longo de todo esse tempo em que não nos víamos me fez mudar de ideia.

“Estava tudo bem até cada vinco do rosto do senhor despejar em mim, sem aviso prévio, quilos de minutos, toneladas de horas e litros de segundos. Uma caixa cheinha de ponteiros, dos grandes pretos e grossos, pesados; e outra dos pequenos fininhos e acelerados, os que picam feito agulha”.

Não. Agora não estou bem. Tenho saudade do meu pai. Emburreço a cara para dividir a calçada com o parente que já não identifico como querido e que vejo rezar todos os dias no bar. Quero festejar Natais com os filhos do senhor e soltar pipa com os primos que decidiram por telefone que não mais caberíamos na biografia um do outro. Voltar ao ponto em que todos nós eramos desconhecidos. Imaculados, diríamos “oi, muito prazer”.

Tenho de seguir a rua e invejar a retidão de sentido que a própria arquitetura do asfalto escancara. Minha rua é sem saída. A verdade é que não há saída para a rua, pra mim, pra você e isso reconforta.

Só quero ir embora — ainda que não haja por onde ou do que escapar. Hoje, não há lugar onde eu caiba.

Degluto.