Como explicar que os homens mais fortes estão sem os deuses?

Tem homem com Síndrome de Beyonce!

Que a Terra é um planeta de dualidades já não há dúvidas em 35 anos. A força que aqui faz o motor girar funciona assim, numa relação conflituosa: só há luz pela existência da sombra. Só há amor por existência do ódio. Segue.

E lidar com a dualidade, entende-la surgir na nossa frente como oportunidade de nos reconhecer sermos quem somos, não é fácil. É um ritual longo até se ultrapassar a barreira da raiva contra o outro que argumenta contrariamente a gente.

Mas fiz o hercúleo exercício mesmo não tendo o rabo preso com Buda, Krishna, Jesus, Moisés e Maomé para ter de me aguentar calada até cair a ficha que dar pérolas aos porcos é bobeira. Não que os porcos não mereçam todo mimo. Porcos são animais maravilhosos. Autoconscientes. Mais espertos que muita gente. Merecem todo capricho. Mas sim porque pérola é fruto da maldade humana e por isso nenhuma pessoa boa merece ganhar pérolas que são infecções causadas às ostras propositalmente. E como explicar minha própria explicação, essa última, para quem se gaba da vida que tem para quem não sabe diferenciar uma ferrari de um fusca e nem faz questão, no caso, eu.

Calei em nome da voz que me comanda, que já não é uma adolescente. Que não abre os braços pra acolher esse oposto por já ter sacado a perda de tempo que é. Por não ter compromisso de ser boazinha para lustrar a bola de algum deus. É tempo de estar com quem ajuda a gente a ir pra frente. Assim como muita gente já deve estar bem a frente de nós e não tem tempo em nos carregar com nossas boçalidades.

Então, calei-me. Nada disse da minha vida, afinal, tudo o que ganhei foi tão bem feito que nem dá pra ver. Não há rastros nem pistas dos meus tesouros. Fiquei escutando aquele homem falar como se morasse numa província afastadíssima de mim. Como quem traz causos de uma terra que desconheço.

“Só não entendi porque está solteira. Você está mais linda do que nunca!”. Continuei calada. Deixei os dois tiques azuis do aplicativo sozinhos respondendo por si mesmos enquanto meus olhos realizavam toda a rotação em torno da órbita ocular.

De todas as respostas, a verdadeira deixaria o homem louco: porque eu quero. PORQUE EU QUERO, PORRA! Agora grito aqui, internamente. E deve haver outro motivo? Talvez eu devesse ter dado isso a ele. Um motivo para pensar para além das províncias da alma.

Como explicar que os homens mais fortes estão sem os deuses?