Como devorar o almoço das grandes empresas?

Cinco lições vindas de startups e venture capital

Por Sandipan Roy*

Imagine o seguinte: quase 5 mil startups, investidores, incubadores, venture capitalists, fundadores de unicórnios, e acadêmicos reunidos no Vale do Silício durante alguns dias com um fervor quase obsessivo para começar uma revolução e derrubar o sistema que produziu algumas das maiores empresas do mundo.

Assustador, porém estimulante…

No mês passado, eu tinha algumas reuniões agendadas no Vale do Silício, então aproveitei a oportunidade para comparecer à Startup Grind Global Conference. Para quem não conhece o evento, os fundadores do WhatsApp, Chobani, Coursera, Tinder e Waze; investidores como Vinod Khosla, Ben Horowitz, Justin Kan; além de planejadores, acadêmicos, cientistas de dados e líderes da Singularity, IBM, Watson, Google, Airbnb, Netflix e HBX — só para mencionar alguns — se reuniram para inspirar, trocar e apresentar ideias no lindo Fox Theatre e em outras casas de eventos em Redwood City, na Califórnia.

Tudo que ocorreu durante os dias do evento foi acolhedor, autêntico e intenso. Por mais que não goste muito de papear com outros seres humanos, principalmente estranhos, para o meu choque, eu me vi despido de todas as inibições e fui tragado por um turbilhão de energia, dedicação e autenticidade.

Minha fala para todos era muito simples: o meu mundo se resume à consultoria e à execução, trabalho com empresas detentoras de grandes legados que correm o risco de sofrerem disrupções pelas mãos dessas pessoas do evento, e eu queria passar um tempo no mundo delas para entender como fazem isso.

Surpreendentemente, deu certo. Nós conversamos, bebemos e trocamos contatos. Mais importante, aprendi muito ouvindo conversas interessantes, apresentações e keynotes de alguns dos empreendedores mais bem sucedidos do mundo.

Aqui estão as cinco coisas mais importantes que aprendi:

1. Estabeleça uma meta que você não conquistará sem inovar.

Qual é a sua meta 10X? Qual é o seu “projeto de ida à Lua”? Quando estabelecemos uma meta 10X, atacamos o problema de uma forma muito diferente. E a solução encontrada, mesmo que não resolva o problema, será radicalmente diferente e melhor. A Singularity University, um dos fundadores desse pensamento 10X, falou sobre o foco nos investimentos com essa abordagem. A questão central é: como o seu modelo de negócios se transformaria você tivesse 1 bilhão de dólares em vez de alguns milhões? Observações para empresas estabelecidas: pessoalmente, não gosto da expressão “projeto de ida à Lua”, pois dá a ideia de que algo falhará diversas vezes antes de dar certo. Como fazer para que o sucesso da inovação seja mais previsível de modo a ser financiado, institucionalizado e ganhar escala?

2. Seja um general da rebelião.

Ben Horowitz, da Andreessen Horowitz, entrou no palco usando uma camiseta com os dizeres “General of Rebellion” (General da Rebelião), e deu uma palestra inspiradora sobre como a cultura estava no cerne de todas as rebeliões. Ele aludiu à vida de Toussaint L’Ouverture, o escravo haitiano que liderou a única revolta de escravos bem sucedida da História, e citou líderes como Steve Jobs, Larry Page, Reed Hastings e Mark Zuckerberg para inspirar as startups. Horowitz deu quatro grandes conselhos: “continue fazendo o que dá certo”, “crie regras chocantes”, “inclua outras culturas” e “tome decisões que mostrem prioridades”.

Observações para empresas estabelecidas: a disrupção precisa da cultura e a cultura muitas vezes precisa de disrupção. Empresas estabelecidas geralmente desenvolvem alguns modelos diferentes para inovação e disrupção. Encontre o seu e construa uma cultura em volta.

3. A disrupção não é um evento, é um processo.

Muitas empresas e indústrias acordam surpreendidas pela disrupção, quando, na verdade, ela passou despercebida em forma de processo, até se tornar um evento. A disrupção chega sorrateira em partes do mercado pelas quais você não se interessa nem se atrai, e lentamente espalha seus tentáculos para agarrar todo o seu negócio. Por mais que a tecnologia não seja a única razão da disrupção, ela com certeza determina a velocidade com que se propaga. O co-fundador do Evernote, Phil Libin, deu uma palestra fantástica usando o jogo da pedra, papel e tesoura para ilustrar como a tesoura da startup pode cortar o papel da empresa estabelecida antes do papel se dar conta.

Observações para empresas estabelecidas: como você pode causar sua própria disrupção se esta é ainda um processo e não um evento final? O desafio é revisitar seu modelo de negócios e entender onde pode continuar a gerar valor — e onde o valor pode ser destruído.

4. Crescimento não é nada sem engajamento e monetização.

Acredito que a insensatez de “tantos milhões de aquisições” parece ter sido finalmente resolvida. Ficou claro a partir das discussões aqui que financiar um simples modelo de crescimento é coisa do passado. Por mais que a mentalidade do crescimento seja absolutamente crucial para o pitch, os investidores parecem ter acordado para o fato de que a obsessão cega por crescimento levará a outra bolha da internet, antes de nós percebermos. Nir Eyal deu uma palestra fantástica baseada em seu livro “Hooked”, que é uma leitura importantíssima para quem quer ir além das métricas rasas. A perspectiva do autor sobre gatilhos, ação, recompensas variáveis e investimentos deveria servir como modelo para qualquer pessoa interessada em criar hábitos para seus produtos.

Observações para empresas estabelecidas: construa hábitos, não apenas o uso, porque hábitos são difíceis de largar, já o uso pode ser replicado.

5. Finalmente, seja o impacto que você quer ver no mundo.

Esse foi um tema comum a todos. Nenhuma das startups, venture capitalists ou fundadores de unicórnios que conheci faria qualquer coisa sem ter muita clareza a respeito do impacto que querem causar no mundo. Ter obstinação e devoção a sua identidade parece ser um modelo altamente escalável e sustentável. Bases são permitidas, mas precisam ser autênticas e devem responder à velha questão: “é assim que você quer impactar o mundo?” E foi ótimo perceber que isso não é apenas outro mantra “fofo” de retrospectiva das pessoas de sucesso, e sim um tema profundamente enraizado em toda a comunidade.

Observações para empresas estabelecidas: muitas vezes nós desvalorizamos grandes ideias e nos perdemos na experimentação barata. Construa uma ideia extremamente transformadora e dedique-se a ela em tudo que você faz.

E aí, quem causa disrupções para você quando você não causa disrupções para si mesmo? Faça essa pergunta, e eu espero que você encontre a verdadeira resposta. Boa sorte!

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