Como a economia pode te ajudar a escolher a carreira certa?

Ou, porque você deve se preocupar com o fato de a sua profissão poder se tornar obsoleta?

Israel Finardi
Feb 23, 2017 · 9 min read

Para os indivíduos que entram no mercado de trabalho pela primeira vez, há algumas boas e más notícias.

A boa notícia é que os que ganham mais, (ou aqueles com pós-graduação) estão ganhando mais do que nunca.

A má notícia é essa: No ano de 2000, graduados de faculdades (que duram cerca de quatro anos), ganharam mais com alguns dos seus primeiros empregos, do que estão ganhando nos dias hoje, depois de formados.

Uma forma de te explicar de uma maneira fácil qual é a relevância desse problema, é te fazer pensar sobre os motoristas de táxi. No ano de 1970, apenas 1 em cada 100 motoristas de taxi, possuíam um diploma universitário.

Nos dias de hoje, essa relação é cerca de 15 em cada 100.

Agora, é claro que ter um diploma universitário significa que você vai ter uma chance muito menor de ficar desempregado, do que se você não terminar toda uma faculdade. Afinal, dependendo da faculdade, ela te dá conhecimento técnico e útil para a resolução de problemas reais.

Mas no geral, o que vemos nas faculdades de hoje, é um monte de talentos jogados fora, um monte de capital humano desperdiçado e, pessoas que terminaram graus universitários, mas não têm as competências adequadas para obter os melhores empregos, justamente pelo fato de que perderam tempo com algo que realmente não atende as reais demandas do mercado de trabalho.

Não obstante, existem cursos extremamente inúteis, que só existem porque são mantidos por uma máquina burocrática que os sustenta. A demanda por formados destes cursos é fictícia, porque é criada a partir da fabricação de problemas que, na grande maioria das vezes, não são problemas do mundo real.

Um exemplo crasso, é o curso de Sociologia. Você só entra numa faculdade de Sociologia se for para, depois de formado, dar aula de Sociologia.

Não é engraçado? É como se você entrasse num inútil sistema de pirâmide.

Portanto, há boas e más notícias no mercado de trabalho.

Como sabemos o que dirige o mercado? Bom, para entendermos isso, devemos refletir sobre o núcleo do conceito de oferta e demanda. Ou seja, no nosso caso, a oferta e a procura de trabalho e mão de obra especializada.

Para pensar sobre como essas ofertas e demandas mudaram de uns anos pra cá, vamos começar com o fator da tecnologia. Tecnologias mudaram, e isso alterou a oferta e a demanda do que se exige.

Então, vamos pensar sobre tipos de trabalhos mais antigos.

Antigamente esses trabalhos eram baseados na fabricação e manufatura de produtos e/ou serviços. Se você trabalhava em uma fábrica, você muitas vezes tinha o privilégio de subir de cargo, e na prática não precisava de um diploma universitário. A única coisa que você precisava era de um treinamento específico para a função que iria desempenhar.

Resumindo: para o empregador, é muito mais barato qualificar um monte de gente que tem interesse em tomar estes postos de trabalho, do que pagar astronômicos salários para pessoas que tem diplomas, mas que não tem a qualificação necessária e específica para um certo tipo de trabalho.

E foi praticamente essa cultura de ascensão no meio empresarial, que ajudou a construir a classe média da cultura norte-americana, o que fez eles se tornarem uma das nações mais desenvolvidas do planeta.

Mas vamos refletir sobre o que está acontecendo num nível contemporâneo:

Hoje, é diferente. É muito mais provável que você tenha que trabalhar com computadores e com a tecnologia da informação do que ter uma função específica numa linha de produção. E isso, afeta tanto a oferta quanto a demanda de diferentes tipos e postos de trabalho.

Vamos pensar primeiro em mão de obra qualificada.

Bom, possuir mão de obra qualificada para trabalhar com computadores, é muito mais poderoso em criar valor para o empregado e para o cliente do que trabalhos manuais específicos e alienados.

Os computadores sempre aumentam a produtividade e a lucratividade dos trabalhadores qualificados, fornecendo assim, mais satisfação para toda a sociedade.

A tecnologia da informação torna possível para o trabalhador que possui mão de obra qualificada, vender seus produtos em torno de todo o mundo. É também o que torna possível que o salários de quem emprega, serem maiores e mais rentáveis, e o que torna a satisfação dos clientes, cada vez maior.

Ao mesmo tempo, a tecnologia da informação pode ser bastante difícil de aprender. Parece que é muito difícil manter-se estável no mercado, com todos os novos desenvolvimentos e atualidades que surgem a todo o instante.

Assim, há oferta de mão de obra qualificada para computadores, mas ainda é muito limitada, porque a todo instante surgem novas demandas por postos de trabalho.

Agora vamos pensar sobre como os computadores interagem com os trabalhadores menos qualificados.

Bom, se você possui um trabalho menos qualificado, pode achar que é mais difícil de trabalhar com computadores, já que você não entende sobre o assunto. Mas há um outro fator.

O computador realmente pode estar competindo com você.

Então, se estivéssemos nos velhos tempos, você teria conseguido um emprego como arquivista de papéis, hoje, as empresas demandam que você saiba fazer isso com um software.

Você também poderia ter conseguido um emprego como um agente de viagens, mas muitos desses empregos desapareceram. As pessoas simplesmente fazem reservas online por auto-atendimento.

Sendo assim, a mudança de tecnologia fez os salários subirem ainda mais para quem está no topo (porque estão em constante qualificação), mas manteve os salários baixos de um monte de outros empregos. Empregos estes, alienados da tecnologia, e que novos graduados universitários estão experimentando justamente quando vão para o mercado de trabalho.

É, a maioria se decepciona com os salários baixos.

Há um segundo fator de oferta e demanda: o que tem a ver com o crescimento nos mercados globais.

Ao longo dos últimos 35 anos, temos visto, pelo menos, dois bilhões de novos trabalhadores no mercado de trabalho mundial, muitas vezes, na China e na Índia, porque esses países estão agora, mais ricos, mais livres e mais abertos economicamente. Pense em como isso afeta mão de obra qualificada.

Vamos supor que você é um trabalhador realmente bom em trabalhar com computadores. Você trabalha na Apple, ajudando a projetar os novos iPhones. Bom, agora há um mercado muito maior do que antes. O mundo inteiro vê os seus projetos, e você pode livremente vender eles. Isso significa que o valor do seu trabalho, e o seu salário, serão maiores porque servirão mais demandas.

Ao mesmo tempo, se você é um trabalhador menos qualificado, agora há mais pessoas na economia global que você vai ter que se preocupar em competir. E sim, um monte de pessoas estão sendo pagas com salários mais baixos porque não tem a qualificação necessária para receberem salários mais altos. Então, se você não tem uma habilidade especial, você pode encontrar o seu emprego em perspectivas não tão boas, porque agora, do lado da oferta, há mais concorrência.

Essa concorrência cria uma economia de base, onde os produtos e serviços para a camada menos qualificada é mais barata. O bom dessa economia é que ela é saudável, é normal e é uma transição para uma sociedade mais rica e mais qualificada.

Existe um conjunto de fatores que tem a ver com o crescimento econômico lento: a produtividade e o dinamismo lento da economia está diretamente ligado a falta de especialização na tecnologia.

Por exemplo, o número de start-ups na economia norte-americana tem vindo a diminuir a cada década desde os anos 1980. Isso significa que há menos novos postos de trabalho e menos empregados. Ou seja, muito menos oportunidades de especialização.

Significa também que há menos demanda para novos tipos de trabalhos, o que torna mais difícil para uma nova geração que acabou se se graduar, conseguir encontrar o trabalho que querem, com um salário justo.

Quando o crescimento da produtividade é baixa, o dinamismo da economia é menor e consequentemente há menos volume de investimentos, negócios e empregos. Isso pode ser bom se você já é um trabalhador qualificado que já tem um grande trabalho, mas se você está apenas começando, a sua jornada vai ser o dobro mais difícil.

Outra forma em que os mercados de trabalho tornaram-se mais estáticos e menos acessíveis é que mais e mais empregos atualmente exigem agora que é agora chamado de licenciamento ocupacional, ou seja a permissão legal para fazer determinados tipos de trabalho. Agora, mais de um quarto dos postos de trabalho exigem este tipo de permissão legal, muitas vezes proveniente de um estado ou governo local.

Claro que pode fazer sentido ter uma certificação para alguns tipos trabalhos, mas é realmente necessário ter uma licença legal para ser um barbeiro, ou para ser um decorador de interiores?

Isso aumenta o custo para pessoas entrarem nesses setores e causa desemprego. Isso significa que pessoas vão ter que gastar um monte de tempo, e muito dinheiro, para obter licenças e certificações necessárias para exercerem a profissão. Mais uma vez, é bom para as empresas existentes, que enfrentam menos competição, mas é ruim para as pessoas que precisam de experiência e estão começando no mercado de trabalho.

Agora você coloca todos esses fatores juntos e soma-os com a crise política do país, somado com a crise econômica que estamos vivenciando desde 2008…

Isto significa que a produção esta em declínio. O emprego esta em declínio. Pessoas foram demitidas. Estamos numa crise financeira.

E agora? O que um monte de empregadores vão fazer? Bem, muitos congelaram suas contratações e começaram a demitir gente. Nenhum posto de trabalho é criado a mais, só a menos.

Então novamente, se você estiver lá fora, tentando conseguir um novo emprego hoje, vai ser mais difícil. E sabemos a partir dos dados que as pessoas que começaram a trabalhar durante tempos econômicos ruins, demoram muito mais tempo para subir na escada do sucesso.

Assim, mesmo estando de 5 a 10 anos empregado, essas pessoas estão ganhando salários mais baixos ou recebendo menos promoções do que pessoas que estão constantemente se atualizando.

Então, isso levou a um efeito persistente no trabalho americano, o que tem limitado oportunidades.

Então, para resumir tudo: hoje, o mercado de trabalho é mais sobre as habilidades do que em qualquer época da história. Sim, terminar a faculdade é uma grande ideia, mas hoje em dia não é mais suficiente. O que realmente importa é o quanto suas habilidades vão criar o valor que você pode gerar para um cliente, para você mesmo ou para um empregador.

Mercados de trabalho são regidos pela oferta e pela demanda. As variáveis que alteram essas ofertas e demandas estão mudando o tempo todo. Assim, a maneira correta de pensar sobre o que fazer nos mercados de trabalho, é se entender dentro desse, o que se está ofertando e o que se está demandando.

Dê uma olhada nos salários relativos entre: Engenheiros de Software vs. Psicólogos, ou Arquitetos vs. Tecnólogos da Informação.

Você pode ser surpreendido com a quantidade de pessoas que demandam esses serviços de formas diferentes, afim de suprir demandas subjetivas.

No mundo de hoje o impulso está se movendo em direção a pessoas que são capacitadas na área de tecnologia da informação, o que está abrindo diversas oportunidades de trabalho nunca imaginadas e que funciona muito bem como uma economia de recente exploração aos crescentes mercados globais.

Quando a oferta e a procura estão governando o mercado de trabalhos, as pessoas que ganham bem são aqueles que têm uma compreensão econômica da onde é que a demanda está alta, e onde é que é escassa oferta.

Então, antes de resolver o que fazer, faça uma pesquisa de mercado e perceba as melhores oportunidades, campeão. ;)

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    Israel Finardi

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    Cristão, economista austríaco autodidata, entusiasta de criptomoedas e ativista paleo-libertário. Fundador do Portal Libertarianismo

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