Existe essa tal coisa de ser você mesmo?

Na hora de dizer “seja você mesmo” todo mundo concorda que isso é uma boa ideia e aplaude de pé, mas a verdade é que poucas vezes paramos para pensar o que isso significa.

Por que ser você mesmo nada mais é do que o resultado de uma equação mental formada por o que você gostaria de fazer em determinado momento X o que esperam que você faça. Pior ainda: o que acha que esperam que você faça.

Ou seja, ~ser você mesmo~ nada mais é do que tomar uma decisão diante dessa dualidade, em um determinado momento no espaço. Isso significa que você pode decidir fazer o que quer, naquela certa hora, lugar, ou diante de tal pessoa. Mas isso nada será além de uma decisão momentânea, baseada em incontáveis fatores sociais, ambientais e psicológicos.

Sim, você pode até ser você mesmo, mas isso só dura um instante.

Quando menos perceber, você estará se vendo novamente diante da dualidade o que quero X o que querem e provavelmente não estará tomando a decisão em prol da sua vontade por motivos de É MUITO DIFÍCIL IGNORAR O QUE OS OUTROS PENSAM.

Isso leva a uma outra perguntinha curiosa: Por que vivemos escondendo nossos sentimentos?

Qual é a áurea refinada e adulta que existe por trás dessa mania que temos de pensar que estamos sendo fortes, maduros e auto-suficientes ao não deixar transparecer o que sentimos?

Essa necessidade de manter o mistério é muito desgastante!

O mundo seria muito mais simples se:

  • Está com saudades de uma pessoa, diga.
  • Gosta de alguém, declare.
  • Quer só um PA, fale também.
  • Não curtiu alguma atitude, reclame.
  • Não quer mais ver uma pessoa, conte.
  • Achou caro, conteste.
  • Perdeu a vontade, admita.
  • Errou, confesse.
  • Não quer errar, converse.

Mas não, vivemos dando voltas e voltas, quando sabemos muito bem aonde queremos chegar.

E tudo por quê?

Simples, por medo.

Medo do julgamento, medo da rejeição, medo das atitudes, de como nossas palavras e ações vão repercutir nas mentes alheias. Medo. Medo. Medo.

Medo é o mais letal dos sentimentos.

Ele paralisa. Tira de você tudo o que tem de bom.

Com medo, suas qualidades se escondem atrás de um escudo supostamente forte e salvador, que te livra das situações “indesejadas”.

Seu amor próprio tende a zero, porque você nunca se acha bom o suficiente para nada, nem ninguém e vive tentando provar para si que merece algo que não tem nem certeza do que é.

Sua inteligência, coragem, resiliência, concentração e espiritualidade vão para o ralo junto com o monte de lixo mental que você acumula enquanto colide com centenas de pessoas todos os dias.

Até mesmo aquelas relações que você considera saudáveis e sinceras, podem estar sendo baseadas no medo e você não percebe e não quer perceber. Por medo.

Somos mentirosos por natureza. Quase instintivamente. Como um animal que se esconde ao sentir que pode ser caçado. E a pessoa para quem mais mentimos é essa que vive dentro da gente, desesperada por um pouquinho de reconhecimento.

Isso é bom? Ruim? Sei não. Tenho medo de decidir.

#PAS