Na arte interativa, o corpo é a mensagem

Originalmente publicado em ComunicaUEM, em 07 de agosto de 2018. Pequenas alterações foram realizadas.


O Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, o FILE, tem como objetivo, trazer ao público, com entrada franca, a união entre arte e tecnologia. É realizado anualmente pelo Ministério da Cultura com apoio do Centro Cultural do Banco do Brasil, e a sua 19ª edição, acontece entre os dias 04 de julho a 12 de agosto, no Centro Cultural Fiesp em São Paulo.

Capa do tema da 19ª edição do FILE

O Festival tem como título O CORPO É A MENSAGEM, “[…] Uma referência à tecnologia e ao corpo diferente daquela que implica em ‘ciborguização’, mas, sim como algo que atua pelo lado da comunicação e da informação e, principalmente, pelo ângulo estético — artístico, na apreciação e no modo de fazer uma obra de arte”, segundo os criadores e organizadores do FILE. O evento proporciona experiências únicas, táteis e sensitivas, nos mais de 200 trabalhos, entre instalações interativas, videoartes e projeções de artistas de 38 países.

Entre os destaques, está a instalação Outrospectre dos artistas holandeses Frank Kolkman & Juuke Schoorl e que tem como proposta experimental, permitir ao usuário uma experiência e simulação fora de seu corpo. Os criadores tem como objetivo, a utilização do “Outrospectre” em ambientes hospitalares para ajudar a tratar a ansiedade e o medo da morte, para pacientes em estado terminal.

O Polytope — O Objeto Coreográfico, da brasileira Ludmila Rodrigues, é uma estrutura leve e articulada, que chama o público a uma experiência espaço-corporal. Dando liberdade à forma de se mover, expressar, pequenos gestos podem se tornar grandes ações performáticas.

SyncDon II dos japoneses Akihito Ito + Issey Takahashi, tem como objetivo compartilhar com as pessoas a emoção, que não pode ser expressa por palavras, induzindo a sincronização, por estímulos sonoros, visuais e táteis, do batimento cardíaco — fenômeno que ocorre quando uma batida é sincronizada ao mesmo ritmo, em sintonia com a de outra pessoa. “SyncDon II” é uma instalação audiovisual que registra o ritmo dos batimentos cardíacos do usuário e os guarda em uma caixa embrulhada para presente que pulsa a ritmos gravados.

“A sincronização leva não apenas à combinação com os ritmos do corpo, mas à empatia, à capacidade de partilhar a vida emocional do outro, de sentir o que eles sentem” afirmam os artistas.

Outra instalação que merece destaque é You are the Ocean dos artistas Özge Samanci & Gabriel Caniglia. Por meio de equipamentos, o usuário é capaz de controlar o oceano digitalmente utilizando apenas suas ondas cerebrais. Mar calmo e tempestades são alimentados com os pensamentos do espectador. Apenas o ato de se concentrar pode ocasionar uma ventania ou sol.

O site oficial do Festival disponibiliza também trabalhos digitais e interativos, como passeios 360º por quadros clássicos, como Munch, Van Gogh, e outras obras impressionistas, além de, é claro, permitir o acesso à todo o catálogo e programação das edições anteriores.