Piscinas

Cada vez mais venho percebendo a necessidade de parar e pensar. A gente não para em nenhum momento. O “não parar” significa que você não observa os pequenos detalhes existentes ao seu redor, os que te fazem uma pessoa infeliz ou feliz demais. Não se respira e nem se vive o momento, pois o piloto automático já está ligado há tanto tempo que não deixa os olhos abrirem para o interior.

Quando resolvi parar e resolver minhas pequenas angústias, foi como um processo de autodescobrimento em que coloquei todas as minhas dores na mesa e mergulhei em cada uma como numa piscina olímpica. Nadei, boiei muito, me afoguei em desesperos miúdos que tanto já me arrastaram e precisavam de uma solução. Parei para respirar e deixar de boiar, pois ainda havia muitos mergulhos e piscinas angustiantes pela frente. Submergi. Voltei. Olhei ao meu redor. É justo? Não. Proxima piscina.

É justo magoar-se com tão pouco e obedecer a pressões externas que, se analisadas profundamente, não deveriam sequer fazer parte da sua gentil existência como ser humano? É justo entrar numa sequência de presenças em eventos em que você não queria estar? É justo olhar o outro com os primeiros olhos para se olhar em segundo plano? É justo se encher de problemas que não são seus? Cobranças externas sobre o que ser, o que fazer, onde trabalhar, o que comer, quem namorar, quem conversar e quem quem quem. É justo? Não. Proxima piscina.

Os seus prazeres estão alinhados as suas vontades reais? Quando foi a última vez que você sentiu seu estômago apertar porque estava tão ofegante de felicidade e com um sorriso no rosto? As pessoas ao seu redor e/ou as que povoam a sua mente em momentos de crise e desespero realmente tem uma opinião concreta sobre sua vida? elas vivem no seu corpo? habitam a sua matéria? São opiniões importantes vindas de outros corpos, outras ideias, outros ideais e outros conflitos? Não. Próxima piscina.

As pessoas ao seu redor estão procurando evoluir para sair de um problema? Você está diretamente atrelado aos problemas que povoam a sua cabeça e também disposto a lidar com eles apenas para mascarar os seus? Há mais sorrisos do que expressões tensas nas trocas de pensamentos? Não. Próxima piscina.

A cada resposta sobre pequenas perguntas que influenciam o seu cotidiano, uma luz pode surgir. Cada luz é um micro ponto negativo que você tinha até então. Cada luz é um “defeito” iluminado para que você enxergue se realmente há defeito e quem o colocou ali. Marcas. Marcas ruins ou apenas quem você é?

Existem pessoas ao redor plantando nos mesmos jardins que você? Há quem corte suas flores depois da primavera ou você decide os momentos em que elas devem passar por uma poda?Após tantas perguntas, você pretende florescer e ser gentil consigo mesmo? Há como respirar, colocar os pés no chão e deixar de amar a ilusão do que você não é? Sim.

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