Trilhando os passos do pai

O sobrenome é conhecido. Nelson Marchezan foi um homem respeitado por seus pares e bom de voto — exerceu vários mandatos sucessivos como vereador, deputado estadual e deputado federal. Após sua morte repentina em 2002 — vitimado por um ataque cardíaco -, restou a dúvida: quem iria sucedê-lo na política? O escolhido foi um de seus cinco filhos: Nelson Marchezan Júnior.

Filho de Nelson e da professora Maria Helena, o porto-alegrense nascido em 30 de novembro de 1971 sempre conviveu com a ponte aérea entre Porto Alegre e Brasília, devido à atuação do pai na Câmara de Deputados. Marchezan alfabetizou-se na Escola Estadual Presidente Roosevelt, no bairro Menino Deus, mas também estudou em colégios das duas cidades durante sua formação escolar. O candidato tinha problemas com a disciplina de Química. “Tirava 10 em uma prova e zero na outra. Era um horror. Acho até que minha primeira namorada foi uma menina que me ensinou Química”, afirmou Marchezan ao jornal Zero Hora durante o primeiro turno.

Passada a fase escolar, Marchezan frequentou diferentes faculdades: Publicidade e Propaganda na Famecos, Educação Física na UFRGS e Direito na Unisinos. Concluiu apenas a última, formando-se em 4 de agosto de 1995. “Foi o dia mais frio daquele ano”, afirmou o candidato no horário eleitoral. Começou a exercer a advocacia em seguida, trabalhando por oito anos na área. Da passagem pela Educação Física, restou o período em que atuou como professor de ginástica aeróbica. Da passagem pela Publicidade, ficou a vontade de criar após ver o pai perder a eleição para governador em 1990 para o pedetista Alceu Collares. A formação acadêmica foi enriquecida posteriormente com uma pós-graduação em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Durante um ano, morou na Europa, entre Londres e Paris. No período trabalhou como faxineiro e garçom para se sustentar. De volta a Porto Alegre, em 1999, abriu uma escola de idiomas, paralelamente à atuação como advogado.

Convidado pelo governador Germano Rigotto, Marchezan assumiu a direção de Desenvolvimento, Agronegócios e Governos do Banrisul em 2003, cargo em que permaneceu por dois anos. Em sua gestão, desenvolveu projetos internos e viabilizou parcerias com pequenas e médias empresas.

Marchezan foi casado com a também advogada Nadine Dubal, vencedora do concurso Garota Verão em 1995, e com ela, teve um filho: Nelson Marchezan Neto, de 8 anos.

Vida política

Inicialmente, Marchezan não queria trilhar o caminho do pai, pois se recordava da distância que a política impunha entre Nelson e a família. Acabou convencido por familiares, filiou-se ao PSDB e concorreu a deputado federal nas eleições de 2002, sendo eleito com 60.071 votos. No entanto, teve sua candidatura cassada pela Justiça Eleitoral, por não ter comprovado filiação partidária a tempo de concorrer.

Quatro anos depois, Marchezan concorreu a deputado estadual e foi eleito, obtendo 45.604 votos. Em 2008, disputou o Paço Municipal pela primeira vez, mas terminou em antepenúltimo lugar, com apenas 2% dos votos. Na eleição seguinte, em 2010, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados e acabou eleito, com 92.394 votos. Em 2014, reelegeu-se com 119.375 votos, sendo o candidato a deputado federal mais votado do PSDB.

Ganhou destaque durante o processo de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, quando participou de protestos na Capital pedindo o afastamento de Dilma. Participação que trouxe o apoio do Movimento Brasil Livre, um dos líderes dos protestos a favor do impeachment, para a campanha.

Sua candidatura foi confirmada em cima da hora, após receber o apoio do PP, que estava em dúvida se apoiaria Marchezan ou Melo nas eleições. Isso acabou fortalecendo Marchezan, já que o deputado está em litígio com setores do partido no Estado, entre eles, a ex-governadora Yeda Crusius. Caso Marchezan ganhe a disputa em Porto Alegre, Yeda assumirá sua cadeira na Câmara, pois é suplente. Seu candidato a vice-prefeito é o advogado Gustavo Paim (PP).

Publicado originalmente no Editorial J em 29/10/2016
Show your support

Clapping shows how much you appreciated Italo Bertão Filho’s story.