Viajando de busão pelo Leste Europeu

Quando pensamos numa boa Eurotrip, logo imaginamos subir num trem e trilhar por aí entre o maior número possível de cidades. Mas se você quer ser mesmo um mochileiro econômico e gastar pouco dinheiro sem perder conforto, talvez seja mais interessante escolher cair na estrada. Os ônibus na Europa são, de modo geral, muito confortáveis, modernos, seguros e rápidos. Meu relato pessoal começa em Berlim e termina em Budapeste, passando por cidades maravilhosas, conhecendo também maravilhosos europeus, no caminho. Todos os meus deslocamentos entre cidades foram feitos de ônibus, foi uma dica preciosa que eu carreguei e agora passo adiante. Apesar da relativa segurança, é sempre bom tomar cuidado com pertences pessoais e golpes, pois em qualquer lugar do mundo os entornos das rodoviárias não são lá muito agradáveis; em Praga por exemplo levei um verdadeiro choque ao desembarcar e dar de cara com aparte feia da cidade, repleta de andarilhos e sujeira. Abaixo há uma breve descrição de duas das principais agências de ônibus do Leste Europeu, mas se você quer fazer uma análise mais completa de preços em diversas companhias, a dica é entrar no www.goeuro.com, que faz uma pesquisa de viagem com todas as agências de ônibus, trem e avião disponíveis.

Student Agency

É uma agência de viagens que revende passagens de ônibus. O site para encontrá-las é o http://www.regiojet.cz. Apesar da empresa ser tcheca, não precisa ter medo dos desencontros linguísticos, já que o site é oferecido em inglês e os funcionários são muito atenciosos em prestar informações em mais de um idioma. Os ônibus são todos muito modernos, com entretenimento de bordo e poltronas confortáveis. Para cada assento há uma televisão touchscreen com filmes, músicas, jogos e, caso o ônibus esteja em território tcheco, acesso à internet. Logo no início da viagem a comissária de bordo (sim, tem comissária!) oferece um cappuccino gratuitamente e outras opções, pagas, do cardápio.

Uma observação: sempre procure o endereço correto do local de partida e chegada do ônibus, isso porque nem sempre ele sai ou chega das rodoviárias principais. Um outro detalhe é que há alguns trechos paradores, então cuidado para não descer no local errado (há avisos em inglês sobre o ponto de parada de cada local).

FlixBus

O site da empresa é muito fácil de navegar, bem mais tranquilo do que o da Student Agency, mas na hora do “vamo ver” as coisas são um pouco diferentes. Os ônibus não são tão confortáveis quanto os da Student, não há toda aquela mordomia de serviço de bordo e, ao menos no trecho que eu viajei, não há opção de reserva de assento, o que pode ser um incômodo para quem viaja em casal ou amigos. De modo geral, no entanto, é também uma boa empresa e vai te levar ao destino desejado sem grandes dores de cabeça. Apesar de geralmente mais caras que a Student Agency, as passagens podem ser encontradas em promoção e você fará uma boa economia.

De Berlim à Saxônia

A primeira rodoviária europeia em que pisei foi a de Berlim. Como eu estava hospedado em uma região próxima à rodoviária, acabei tendo fácil acesso via transporte público. Apesar de não ser tão próxima à parte central da cidade (portão de Brandemburgo ou Alexanderplatz), sempre tem como chegar fácil de transporte público, já que em Berlim o sistema funciona muito bem.

O destino era Dresden, no sul da Alemanha, a pouco mais de 2 horas de Berlim. Comprei a passagem de ônibus pela empresa Student Agency e custou apenas 5 euros. Há possibilidade de comprar a passagem na hora, mas preferi me programar com antecedência e comprar pela internet, até porque fui no período de alta temporada e fiquei com medo do ônibus lotar. Na rodoviária não encontrei muita informação sobre o local de embarque do ônibus e o cartão que imprimi no site não informava a plataforma, mas no final deu tudo certo, apenas segui as placas indicativas com base no meu destino (Dresden).

No meio do caminho havia uma batida, havia uma batida no meio do caminho. Uma desvantagem das rodovias, que os trens não precisam enfrentar, são os possíveis engarrafamentos. Acabei levando mais de 3 horas para chegar a Dresden por conta de um acidente na autobahn. Apesar do atraso, tudo ocorreu muito bem e a comissária de bordo constantemente avisava a nova hora prevista de chegada. Cheguei em Dresden com 3 episódios de Friends assistidos pelo entretenimento de bordo.

De Dresden à Kafka

O segundo roteiro foi feito com a FlixBus de Dresden para Praga. Comprei a passagem pela internet de forma bem tranquila, e me custou 12 euros. A rodoviária de Dresden tem um fato engraçado: não existe. Na verdade é um puxadinho junto à estação central de trem, então confesso que me perdi um pouco para encontrar a parada correta, mas aparentemente todas as rotas com destinos internacionais ficam no mesmo local. O ônibus atrasou um pouco, mas uma funcionária da empresa estava no local de embarque e tirou nossas dúvidas em inglês. A viagem foi tranquila, apesar de eu ter ido um pouco apertado com meus 184 cm, pois só restavam as poltronas da frente, que têm espaço reduzido. A rodoviária de Praga, como eu disse lá em cima, não é muito agradável e fica num local assustador da cidade, mas é interligada com uma estação de metrô e tem uma casa de câmbio com uma ótima taxa, vale a pena trocar uns euros lá e pedir moedas para o caixa, já que as máquinas de ticket do metrô não aceitam cédulas.

De Praga à Bratislava

Para fazer essa rota, a empresa mais barata era novamente a Student Agency, pela bagatela de 10 euros + 50 centavos pela bagagem (paguei pela internet, mas dá pra pagar na hora também). Como o ônibus ficou um bom tempo em território tcheco, pude desfrutar do wi-fi à bordo livremente quase a viagem toda. Infelizmente fui torturado novamente por um tráfego lento durante um trecho da viagem, que acabou atrasando a chegada em quase 1 hora.

A rodoviária de Bratislava é humilde, mas surpreendentemente menos assustadora que a de Praga, foi difícil encontrar um sinal de wi-fi aberto lá, então fui ao Subway, que fica logo na frente da saída, comer um bom baratíssimo e roubar a internet (o atendente gato e simpático deu a senha). Superada a barreira da internet, pedi um Uber para o hostel e me surpreendi com o baixo preço: pouco mais de 2 euros por um trajeto de 10 minutos!

De Brats à Buda

Finalmente, mas não menos importante, o último roteiro rodoviário pelo Leste, com destino à Budapeste. Novamente optei pela Student Agency e paguei 8 euros + 50 centavos. O ônibus atrasou uns 40 minutinhos para chegar, inclusive recebi um e-mail informando desse delay. O resto da viagem foi tranquilo, mas na chegada o ônibus não parou da Rodoviária de Budapeste, mas sim um pouco à frente. Desnorteado com a inédita cidade, e com o idioma assustador, não podia chamar um táxi, pois ainda não tinha trocado euros por forints. Felizmente a estação de metrô ficava do outro lado da rua e, entrando lá, pude cambiar meu dinheiro e pegar um metrô com destino ao meu hostel.

Vale a pena?

Economicamente não há dúvidas de que vale a pena. Pegando a estrada eu consegui gastar a metade do valor que eu gastaria com viagens de trem. Outro fator favorável aos busões: os trens no Leste Europeu são muito antigos e lentos, além de repletos de histórias assustadoras de assombrações e vagões fantasmas com crianças verde-fluorescentes da Ucrânia. Não tive dificuldades em comprar todas as passagens pela internet, também sempre consegui localizar fácil os locais de partida com um GPS na mão.

Pra quem está acostumado com estradas brasileiras, as rodovias do Leste são ótimas (de Berlim para Dresden era sensacional, por sinal) e dá para colocar o fone no ouvido e cair no soninho sem problemas.

Ainda nos pontos positivos, posso afirmar que foram os melhores ônibus que já viajei na vida, muito bem equipados e com a mordomia de serviço de bordo.

Já sobre os pontos negativos, alerto sobre a falta de pontualidade (afinal, das 4 viagens que fiz, 3 atrasaram) que pode ocorrer por conta de problemas locais, como acidentes ou trânsito intenso. A falta de estrutura de algumas rodoviárias também pode deixar você confuso, principalmente quando se está num país com um idioma tão complicado quanto o húngaro.

No final das contas, a balança pesa muito mais para o lado positivo, já que como bom mochileiro a economia é sempre um fator importantíssimo para traçar a viagem. Com essas dicas e relatos, espero que você consiga se programar direitinho para a próxima viagem e conhecer as maravilhas surpreendentes do Leste Europeu!