Foder
Adoro a palavra foder. Foder, foder, foder. Outro dia me flagrei ensinando ao vizinho analfabeto de vinte e poucos anos a conjugar a palavra foder. Ele não entendia muito bem o por quê de diferentes variações do tempo verbal da palavra foder, ele adorava mesmo era me ver pronunciando a palavra, sílaba por sílaba, dizia que minha boca fazia movimentos engraçados com os lábios, e que ficava excitado com isso. Disfarcei em vão uma breve ereção que o volume do meu calção deixou à amostra. Ele não poupou olhares e insistiu pra eu repetir tais movimentos com os lábios.
No futuro do presente — sussurrei meticulosamente cada palavra: eu foderei/tu foderás/ele foderá/nós foderemos/vós fodereis/eles foderão. Pedi então pra ele repetir toda a pronúncia, ele ciente de seu ato, cumpriu seu ofício de bom aluno, aprendeu ligeiro tal tarefa. Ele então passou a se viciar na conjugação de tal verbo, queria ele repetir de todas formas o sussurro de tal pronuncia. Passei a ir todos os dias em sua casa e conjugávamos repletos de suor tal verbo, não me cansava de repetir tal ato, dávamos vida ao verbo durante o dia inteiro — no banheiro, onde o eco de cada sílaba soava em destaque: eu fodia/tu fodias/ele fodia/nós fodíamos/vós fodíeis/eles fodiam. Na cozinha, onde a mesa servia de apoio para todo o estudo. E gozávamos do aprendizado do verbo medonho,mas nem nos dávamos conta, que no fim, aprendíamos a conjugar todos os verbos.
(Ítalo Lima)