Silêncio esculpido em nós:

Ítalo Lima
Jul 28, 2017 · 2 min read

amanheci cheio de dizeres e silêncios chamando teu nome
avistei de perto, da minha pele áspera teu descontentamento ávido
foi esse o motivo letal que fez você partir de casa pela trigésima vez
tem uma luz em mim que diz muito sobre a minha insônia
e é quando incido, assim, de uma forma muito estapafúrdia
que demostro em voz alta o meu calar e arrependimento
eu me ajoelhei nua feito beata pedindo para você ficar
e me atraquei nas tuas pernas largas e implorei em vão
pelo teu afago pouco que sempre tive em gotas
minha pele é quase escama e o meu delírio
tem quase um toque cativo que lembra teu cheiro
foram preciso três balões de ar para eu conseguir recuperar o fôlego
teu nome tem dizeres asmáticos que me sufocam e dilaceram
eu desatento vou tropeçando nos meus cansaços
porque você nunca me ensinou sobre equilíbrio
ou sobre como me comportar numa multidão de pássaros noturnos
por um longo tempo eu olho para dentro de mim de uma forma atenta
há um poço fundo que abriga o meu eu afogado, rarefeito, em agonia
aceno para todas as lembranças que você deixou, são memórias
teu abandono nada diz sobre as mutilações que carrego nos dentes
vou seguindo valente me esquivando da saudade e suportando no peito
o martírio eterno da dor de rasgar a foto do porta retrato da sala
e substituir por um letreiro de boas vindas para a solidão pestana
teu silêncio eterno pousou em mim e deixou uma ferida aberta
estanco fraco os maltratos deixados em carne viva,
apodrecendo vou de novo aprendendo a esquecer
dessa vez para sempre o teu nome tatuado nas minhas costas.

Ítalo Lima

Ítalo Lima

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(um pouco aflito)