Um relato sobre o fim do meu relacionamento

Ítalo Lima
Aug 23, 2017 · 2 min read

Nós somos um acúmulo de desastres, de caos e tropeços. Tenho refletido muito sobre a minha pele, sobre o tato, consequentemente, sobre a minha solidão. E sobre o fim. Não consigo chegar a nenhuma conclusão. Talvez seja a ausência de alguém que me cause arrepio, talvez. Mas acontece que eu exijo muito, é por isso que tantos vão embora de mim (meu ex se foi porque eu não sou uma pessoa nada fácil). Eu não sei fazer a cama. Já acordo bagunçado. Dentro de mim tem caos alérgico. E o mundo anda tão cheio de desinteresses. Perdoem o meu silêncio, é que pra olhar pra mim é preciso coragem, mas nem eu sei de onde tirar isso.

Mas o pouco que já me olhei, pude perceber que o fim é também sobre começos, é quando o fio longo do novelo desembaraça, as duas pontas distantes olham para si e já nem se reconhecem mais. A linha é uma só. E por falar em linhas, nada me tira da cabeça a lembrança daquela lenda oriental (Akai Ito), que diz que os deuses amarraram uma linha invisível em cada um de nós, que interliga com a nossa alma gêmea. Mas a gente nunca reconhece essa linha invisível, perdida…

Deixei ir mais uma vez a linha, que dentre todas, se mostrou a mais possível de laço. Meu até breve, ou, até jamais. Te falo agora com a coragem de quem engole o choro: no final, o nó sempre desembaraça.

Desculpa o meu barulho, eu nunca aprendi a ser linha.

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    Ítalo Lima

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