Ser católico na era da jujubice

Costumo falar aos meus amigos conservadores que ser católico nos dias de hoje é carregar a cruz do mundo inteiro nas costas.

É um fato já conhecido para os estudiosos da história do cristianismo e da história das ideias políticas que a Igreja Católica é a inimiga número um de todo revolucionário. Por ter construído toda a civilização ocidental[1] e ser a guardiã da Ortodoxia, da Verdade e da Fé, pessoas do mundo inteiro, em unidade (mais especificamente em comunhão), tem uma fé institucional na Igreja Católica.

Sendo por definição conservadora, seus opostos, os revolucionários, a deprecia de todas as maneiras possíveis. Cientificistas, comunistas, ateus, gayzistas, feministas, etc., propagam mentiras e calúnias, não só sobre a Igreja, mas aos católicos, à sociedade cristã e à herança cultural que herdamos de anos e anos dos acertos e erros das tentativas de ordenar a nossa sociedade[2]. Obviamente suas visões distorcidas e utópicas não irão funcionar no plano da realidade e a sociedade entrará em desordem. Esta, por sua vez, causará danos que reverberá por muitos anos a fio. E adivinha quem irá pagar a conta toda? Os cristãos, como sempre, principalmente os católicos e a Igreja de Roma.

Desse modo, o católico tem a dura missão de ser o sal da terra e a luz do mundo:

1- Tem que estar sempre submisso à verdade e desenvolver o seu intelecto[3];

2- Deve ter um espírito de oração constante e de humildade durante seus estudos;

3- Com o seu intelecto deve defender a Fé e a Verdade;

4- Com as suas ações, deve converter e mudar o mundo ao seu redor, ou seja, na medida que lhe é possível, deve espalhar a Verdade;

5- Irá receber ataques e calúnias dos charlatões, ignorantes e dos que se recusam a enxergar a Verdade;

6- Deve ser caridoso com eles e amá-los, ao mesmo tempo em que odeia o pecado e combate as más ideias que defendem.

Quem é bem ativo nesses passos nas redes sociais como o Facebook sabe como é (bastante) penoso o item (5) e consequentemente o (6). Mas quem disse que ser católico é fácil?

Bom, existe um grupo de católicos que, a julgar o que dizem ser católico, é a coisa mais fácil do mundo: é o católico jujuba.

Pe. Paulo Ricardo, o exterminador de jujubice

O católico jujuba é aquele tipo de católico “paz e amor” que todo revolucionário adora, pois é essa metafísica da não-agressão e de pacifismo[4] que os revolucionários querem que os cristãos adotem, pois desta forma é mais fácil de bater na Igreja. Qualquer pau servirá e não terá resistência alguma.

Este tipo de católico se apoia principalmente na passagem bíblica do Evangelho de Mateus:

“Não julgueis e não sereis julgados” (MAT 7, 1)

Esquecem, porém, de considerar todo o contexto do Evangelho, que estava condenando justamente a acusação hipócrita e a condenação por puro prazer sem estar com um sentimento de caridade por trás, já que os católico e os cristãos verdadeiros quando condenam algo faz com o objetivo de realizar uma caridade com o próximo, de abrir-lhes os olhos e ajudá-los a enxergar a Verdade e tirá-los do pecado.

Mas o católico jujuba relativiza tudo e diz que qualquer julgamento não é bom e que cada um deve fazer o que quiser. Se acrescentasse que cada um tem a sua verdade, nós teríamos praticamente um revolucionário em sua essência! Aos jujubas, temos essa passagem do Evangelho de João:

“Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a Justiça” (JOÃO 7, 24)

A Justiça, é claro, é a Justiça de Deus e não do intelectual moderno que projeta de seus cacoetes mentais a fórmula mágica (gnose) que resolverá os problemas do mundo inteiro e trará a justiça para a humanidade.

G.K. Chesterton, grande apologeta católico, comentou sobre a defesa da Verdade e Justiça em seu magnum opus Ortodoxia:

Como antes, o cristianismo entrou em cena. Entrou de maneira alarmante com uma espada e separou uma coisa da outra. Separou o crime do criminoso. Ao criminoso devíamos perdoar até setenta vezes sete. Ao crime não devíamos perdoar de modo algum. Não bastava que os escravos que roubassem vinho inspirassem em parte ira e em parte bondade. Nós devíamos nos irar muito mais com o furto do que antes, e, no entanto, devíamos ser muito mais bondosos com os ladrões do que antes. Havia espaço para a ira e para o amor sem limites. E quanto mais eu contemplava o cristianismo, tanto mais percebia que, embora ele houvesse estabelecido uma regra e uma ordem, o objetivo principal dessa ordem era permitir espaço para coisas boas sem limites.

Mais explicado que isso impossível. Chesterton no citado livro faz uma defesa à Ortodoxia e como somente ela é capaz de trazer sanidade para o mundo. A Ortodoxia é o cristianismo em sua plenitude, que foi guardada pela Igreja Católica em seus dois mil anos de história. Ser católico de verdade é aceitá-la por completo e não de modo relativizado como faz essa teologia da jujubice.

Chesterton e sua felicidade inocente, típica de um grande cristão

Outra objeção que o católico sofre nesses tempos de politicamente correto é o de ter que ser a todo momento extremamente polido e tolerante. Se em algum momento se exaltar e o pior, se em algum momento falar algum palavrão, não merece ser chamado de cristão. Os revolucionários adoram espalhar esses falsos ideais cristãos para tirar toda a virilidade[5] do cristianismo e claro, os católicos jujubas engolem essa também.

Não consideram, porém, duas coisas: a primeira é a condição pecadora do homem, que deixa-nos nessa situação miserável de cometer pecados e injustiças caso não estejamos preenchidos por Deus e totalmente entregues a Ele como fizeram os santos. A segunda é se a exaltação, o xingamento ou qualquer outra atitude mais enérgica está sendo justa ou não. É claro que ter uma atitude dessa a todo o momento não é o melhor modo de se portar, mas no entanto, em determinados momentos, somente uma atitude assim poderá gerar o necessário impacto para espalhar a Justiça, pois

“(…) a boca fala o que está cheio o coração” (MATEUS 12, 34)

São João Crisóstomo também recebeu semelhantes objeções e virilmente respondeu:

“Vamos! Aprontemos-nos para combater os ímpios anomeus. Se eles se indignarem com a designação de ímpios, fujam da impiedade e eu retiro o nome; renunciem aos pensamentos incrédulos e eu desistirei do apelativo injurioso. Se, porém, eles pelas obras profanam a fé e não se escondem, cobertos de vergonha, debaixo da terra, por que se irritam contra nós, que condenamos com palavras o que eles manifestam com ações?” (São João Crisóstomo, Da incomprensibilidade de Deus, Homilia 2. Ed. Paulus, p. 33)

Portanto, vamos acabar com essa jujubice que tanto desviriliza o cristianismo e o distancia da Ortodoxia. Abracemos de vez o cristianismo pleno e sejamos católicos verdadeiros e juntos, combatemos o bom combate.

Notas:

[1] Para saber mais sobre como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental, leia Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental do Thomas Woods Jr. ou veja a série de documentários que ele fez e que está disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=ng8dume3V6k

[2] Apesar de não se livrarem de toda a herança cultural. Apenas depreciam e propagam mentiras das que não lhe interessam destruir para depois se apropriarem das que são úteis ao seu projeto revolucionário arrotando aos quatro cantos que foram eles quem proporcionaram e difundiram para a sociedade, como fazem os marxistas com os direitos humanos, a ciência, universidades e a caridade.

[3] Além do intelecto, constitui o tripé do desenvolvimento pessoal o corpo e o espírito, que o cristão também tem a obrigação de desenvolver!

[4] Ser pacifista é totalmente diferente de querer a paz. A Igreja quer e luta pela paz, mas não é pacifista.

[5] Virilidade que nada tem a ver com o que se entende por virilidade nos dias atuais, que se resume basicamente a ser um ogro brutal e transar com o maior número de mulheres possíveis. Tem a ver com a palavra do latim virtus que significa virtude. O viril é um virtuoso e o homem viril é o homem que cultiva as virtudes da fortaleza, coragem, ética e generosidade juntamente com as virtudes teologais: a fé, esperança e caridade.

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