Emmanuel Macron, candidato eleito na França, que toma posse hoje (14) como o presidente mais novo da história do país

A derrocada da polarização bipartidária

Com o avanço de personalidades de extrema-direita e ultranacionalistas em todo o mundo, o extremismo, seja ele qual for, continua se mostrando ineficiente para suprir as necessidades do mundo no século XXI.

Acostumado com as recessões econômicas a cada 7/8 anos, esse mundo do século XXI agora vem enfrentar um de seus maiores desafios (quiçá o maior): atravessar uma recessão geopolítica que vem assolando todo o mundo através do descontentamento com a globalização e o crescimento de figuras nacionalistas. Ao mesmo tempo em que os desafios parecem ser cada vez maiores, talvez estejamos em frente a uma grande oportunidade jamais vista pelo homem. Nos afundamos cada vez mais em conflitos dualistas, a esquerda contra a direita, a globalização contra a nacionalização, ou trabalhamos e lutamos por aquilo que mais nos une: a esperança.

No cenário global, em uma das eleições mais intrigantes desse momento intrínseco que o mundo vive, a França tomou uma decisão que realça a necessidade de fugirmos da dualidade e buscarmos novas oportunidades.

Em um primeiro turno disputado por 11 candidatos, Emmanuel Macron se colocava como uma opção fora do bipartidarismo tradicional, enquanto que outras figuras de lados opostos tradicionais, Marine Le Pen, da extrema-direita, François Fillon, da direita e Jean-Luc Mélenchon, da extrema-esquerda, exaltavam a disputa polarizada entre dois opostos que nunca caminharam para lugar nenhum, senão rumo a ilusão de uma falsa democracia.

Emmanuel Macron e Marine Le Pen

Eis que a França leva Emmanuel Macron e Marine Le Pen para o segundo turno da eleição presidencial, que culminou com a vitória de Macron. A vitória de Macron contra Le Pen foi tida como a “vitória da esperança pelo medo”. Para registro, não questiono nem defendo qualquer um dos candidatos, mas exalto a importância da eleição francesa e da vitória da candidatura de Macron no cenário global do século XXI que estou apresentando.

As candidaturas extremistas, de Le Pen e Mélenchon, alavancaram, juntas, mais de 40% do eleitorado francês. Em minha singular e humilde percepção, o discurso extremista se coloca como opção para a população cansada das dualidades que não levam a nada, mas que ao mesmo tempo, não consegue enxergar uma opção que os tire desse limbo de conflitos e que impede a humanidade de caminhar para frente.

Porém, há um fator maior para todo esse evento: a falha na democracia. A real democracia é aquela que oportuniza a participação efetiva da população e que cria um governo e sociedade de diálogo impregnado como cultura e que coloca como ideologia o consenso, a coerência, o altruísmo, a verdade e acima de tudo, a esperança.

A vitória de Macron coloca a França nesse caminho e dá luz ao mundo para que se coloque nesse sentido também. Está na hora de darmos fim aos conflitos entre nós mesmos e assumirmos nossa maior identidade: a de ser humano