Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Européia; Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu; Shinzo Abe, primeiro-ministro japonês; Angela Merkel, chanceler alemã; Paolo Gentiloni, primeiro-ministro italiano; Emmanuel Macron, presidente francês; Donald Trump, presidente estadunidense; Justin Trudeau, primeiro-ministro canadense e Theresa May, primeira-ministra britânica

A provação do multilateralismo

Tendo quatro mandatários debutando na reunião da cúpula, os grupos multilaterais, bem como a ordem democrática do mundo, passam por inúmeros testes, em busca de se firmar como caminho para solucionar problemas latentes da atualidade.

Como tratei de deixar claro aqui nesse espaço, o radicalismo, o extremismo e o unilateralismo se concebem como entraves para a formalização de uma nova ordem mundial, com grande pluralidade ideológica e cultural, pautada no diálogo e na busca pelo comum, mais internacionalizada do que globalizada, no atual momento de mudanças pelo qual o mundo vem passando.

Nos dias 26 e 27 de maio, foi realizada a 43ª Reunião da Cúpula do G7, grupo que reúne as sete economias mais avançadas do mundo, e um dos principais grupos multilaterais do globo. Realizada em Taormina, na Itália, as expectativas para o encontro foram muito grandes, visto a nova composição do grupo após sucessivas eleições ao redor do mundo.

Estrearam nessa reunião: Donald Trump, presidente do Estados Unidos; Emmanuel Macron, presidente da França; Paolo Gentiloni, primeiro-ministro da Itália e Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido.

Os líderes do G7 apreciando a vista na baía de Taormina, Sicília

Com pautas fervorosas como as mudanças climáticas e o terrorismo, assuntos tão atuais, visto o recente ataque em Manchester, na Inglaterra e o Acordo de Paris, ainda em curso, o G7 deste ano se consagrou como o mais intenso e dividido de todos.

Tal resultado se dá pela nova tonalidade no discurso dos líderes que compõem o grupo, sobretudo o de Donald Trump e Emmanuel Macron. Antagônicos em diversos assuntos, principalmente nas questões climáticas, a atenção se voltou para ambos durante a cúpula.

A coalização multilateral que visa o bem estar da população mundial, seja em questões de segurança ou meio ambiente, deve ser exaltada e manuseada como instrumento de preservação e proteção da criança que é nossa concepção de sociedade, frente às políticas unilateralistas, que se colocam como os males da atual sociedade que decaem sobre o incerto futuro que se traçou nos últimos tempos.

Há em mim uma forte clareza de que a globalização capitalista se coloca como ultrapassada e perigosa, sobretudo quando se trata da preservação e sobrevivência de nossa espécie, e que somente a coalização multilateral para a formulação de uma nova ordem em nossa sociedade, global e internacionalizada é que podem nos colocar no rumo de uma evolução, tanto como espécie, como sociedade.

Tal evolução, visivelmente utópica, só se alcançará quando a sistemática de vida do ser humano se basear na plena sustentabilidade, que transcende a prática de preservação do meio ambiente, comumente criticada pelos mais céticos, mas que se coloca como uma forma de vida em harmonia com o próximo e no pleno respeito à nossa grande identidade, maximizando todo o nosso potencial como espécie racional e criativa.