Inflação — afinal, que bicho é esse?

A inflação é um tema famoso, e assustador para muita gente. Mas afinal, o que é a inflação? É um importante conceito econômico que representa o aumento de preços de um conjunto de bens e serviços, num determinado período.

A chef Paola Carosella e o economista do Itaú Felipe Salles bateram um papo no supermercado sobre inflação

A variação de preços é medida por diversos índices, sendo o Índice de Preços ao Consumidor, o IPCA, o mais famoso. O IPCA mede todo mês a variação de preços de 373 itens muito importantes do cotidiano das nossas famílias, como passagens de ônibus, alimentos, roupas, remédios…

Em 2015 a inflação brasileira ficou acima de 10%, mais que o dobro da meta do governo, que é de 4,5% ao ano. A inflação mais alta ano passado deu-se, em parte, pelo dólar 50% mais alto, que pressionou preços de insumos e produtos importados, e também por reajustes na gasolina e na conta de luz, elementos essenciais para o funcionamento de toda a economia.

Um fantasma econômico do Brasil
A inflação acima de 10% em 2015 é elevada em relação aos últimos anos, mas é baixa em relação ao período hiperinflacionário das décadas de 80 e de 90. Em 1993, o Brasil fechou o ano com 2477% de inflação. Nos períodos de hiperinflação, ocorrem remarcações constantes de preços e diminuição rápida do poder aquisitivo. O nosso passado hiperinflacionário faz com que a população tema o retorno da inflação galopante.

Desde a criação do Real em 1994, tivemos uma média de inflação anual de 8%. Para efeito de comparação: em 1994, você enchia o tanque de um carro à gasolina por R$ 27. Hoje, 22 anos depois, sai por R$ 186.

Mas será que a inflação continuará a subir? 
De acordo com nossas projeções, não. O dólar mais estável reduz a pressão sobre insumos e produtos importados. Além disso, a retração da economia leva à queda da demanda por bens e serviços, mantendo seus preços sob controle. Acreditamos que a inflação recuará para 7,2% em 2016, e para 4,8% em 2017.

A inflação é um assunto importante. A alta excessiva de preços afeta justamente as famílias mais pobres, onde a cesta de produtos básicos representa 49% do orçamento familiar, segundo o IBGE. A inflação é uma das mais sensíveis relações das pessoas com a economia, por estar ligada à administração direta e ao planejamento de nossos gastos e economias. Basta observar como o aumento de preços é algo que nos impacta diretamente.

E quando há queda de preços, é bom para a economia?
Por incrível que pareça, não. Atualmente, alguns países estão preocupados com queda generalizada de preços, ou seja, com deflação. Isso porque uma queda geral de preços significa que as coisas não andam bem: que há muito desemprego, que os salários estão em queda e que as pessoas não querem gastar.