Inflação segue em patamar baixo

Itaú
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Apr 20, 2018 · 4 min read

IPCA-15 sobe 0,21% em abril, ligeiramente abaixo das expectativas

O IPCA-15 registrou variação de 0,21% em abril, resultado um pouco abaixo da mediana das expectativas de mercado (0,25%). O índice havia registrado variação de 0,10% no mês anterior e de 0,21% em abril do ano passado. Com isso, a alta acumulada no ano atingiu 1,08%, com a taxa em 12 meses permanecendo estável em 2,80%. A nossa projeção preliminar para o IPCA do mês fechado aponta variação de 0,30%, com a taxa em 12 meses subindo para 2,84%, ante 2,68% em março. Para o ano, a nossa projeção para a inflação segue em 3,5%.

Índice de atividade do BC sobe 0,1% em fevereiro

O IBC-BR, índice de atividade econômica do Banco Central, subiu 0,1% em fevereiro, resultado levemente acima das expectativas. O avanço moderado no mês é reflexo dos resultados mais fracos observados na produção industrial e da receita real do setor de serviços referentes ao mês de fevereiro. Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador subiu 0,7%.

Apesar da fraqueza dos indicadores brutos na margem, avaliamos que o crescimento subjacente anualizado da atividade econômica segue em torno de 3%. Essa avaliação vem da evolução recente dos níveis de índices de confiança e da difusão (percentual de indicadores que apontam crescimento ou queda) dos principais índices mensais de atividade que, por sua vez, refletem fundamentos mais favoráveis para o crescimento da economia, como maior expansão global, menor alavancagem das empresas e política monetária expansionista.

Pesquisa Datafolha traz atualizações sobre o cenário eleitoral brasileiro

De acordo com a pesquisa Datafolha, em um cenário em que Lula concorre à presidência, ele obteria 31% dos votos no primeiro turno, seguido por Jair Bolsonaro (15%) e Marina Silva (10%). Geraldo Alckmin aparece tecnicamente empatado com Ciro Gomes (considerando a margem de erro de 2 pp para cima ou para baixo), com 6% e 5% das intenções de votos, respectivamente.

Em um cenário em que o ex-presidente Lula não concorre, e Fernando Haddad aparece como o candidato do Partido dos Trabalhadores, Bolsonaro segue liderando com 17%, seguido por Marina (15%) e Joaquim Barbosa (10%). Ciro Gomes teria 9% e Geraldo Alckmin 8%, enquanto que Álvaro Dias obteria 5% dos votos e Fernando Haddad 2%.

Em uma simulação de segundo turno, se as eleições fossem hoje, segundo a pesquisa, Jair Bolsonaro derrotaria tanto Fernando Haddad (37% vs. 26%) quanto Jaques Wagner (39% vs. 26%), ficaria tecnicamente empatado com Geraldo Alckmin (32% vs. 33%, respectivamente) e Ciro Gomes (ambos com 35%), e seria derrotado por Lula (31% vs. 48%) e Marina Silva (31% vs. 44%). Geraldo Alckmin, por sua vez, venceria Fernando Haddad (37% vs. 21%) e Jaques Wagner (41% vs. 17%), ficaria empatado com Ciro Gomes (32% vs. 32%) e seria derrotado por Lula (27% vs. 48%) e Marina Silva (27% vs. 44%). Marina Silva seria derrotada por Lula (32% vs. 46%). Na maior parte destes cenários, vale notar que quase um terço dos eleitores disse que votaria branco ou nulo.

O que explica o fraco desempenho do real recentemente?

O real teve desempenho pior do que outros ativos brasileiros e outras moedas ao longo do último ano. Em estudo recente, investigamos se o diferencial de juros entre Brasil e EUA, que recentemente alcançou as mínimas históricas, pode explicar isso (acesse aqui). Mostramos que o impacto de uma mudança na taxa Selic no câmbio tende a ser mais intenso quanto menor for o diferencial de juros entre EUA e Brasil. Ao incorporar esse efeito nos nossos modelos, encontramos um real mais depreciado do que temos no nosso cenário. O diferencial de juros em patamar muito baixo, no entanto, ainda é uma nova realidade e requer algum tempo de aprendizado para que possamos estimar com maior confiança seu impacto sobre o mercado de câmbio.

Recuperação continua, mas com volatilidade

Publicamos nosso relatório Orange Book Brasil (acesse aqui), que resume relatos sobre o ambiente de negócios que ouvimos de contatos no setor real, especialistas e outras fontes fora do Itaú. Em linhas gerais, a atividade econômica continua em tendência de recuperação. Mas a volatilidade segue presente, e notamos preocupações crescentes sobre as perspectivas de médio prazo para a economia brasileira. O investimento continua mostrando recuperação moderada desde o segundo semestre de 2017. Também há um interesse crescente sobre as perspectivas eleitorais, e preocupações sobre a política macroeconômica futura e seu impacto nos diferentes setores da economia. Por fim, vale notar que alguns setores estão começando a relatar impactos da reforma trabalhista: os processos trabalhistas vêm caindo desde o início deste ano.

Destaques da próxima semana

No Brasil, destaque para o resultado primário do governo central na quinta-feira e a divulgação da taxa de desemprego na sexta-feira (ambos referentes ao mês de março). Ainda sem data definida, a arrecadação federal de março também pode ser divulgada. Do lado político, importante notar que o Ibope registrou no TSE pesquisa para presidente da República, governador e senador por São Paulo. O questionário não faz simulações de segundo turno para presidente. Sua divulgação poderá ocorrer a partir da terça-feira.

Do lado internacional, os dados de sondagem da atividade econômica (PMI, na sigla em inglês) de abril da Zona do Euro devem ser divulgados na segunda-feira. Na quinta-feira, as atenções estarão voltadas para as decisões de política monetária do Banco Central Europeu e do Banco Central do Japão. Por fim, na sexta-feira, o PIB do primeiro trimestre da economia americana deve ser divulgado.

Pesquisa macroeconômica — Itaú
Mário Mesquita — Economista-Chefe

Para acessar as nossas publicações e projeções, visite o nosso site:
http://www.itau.com.br/itaubba-pt/analises-economicas/publicacoes/

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