Inflação surpreende para baixo em julho

Veja os principais destaques da semana com as notícias e informações do nosso #EconomistaItaú.

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Jul 21, 2017 · 4 min read

Esperamos que o Copom realize um corte de 1 p.p. na taxa Selic

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) volta a se reunir na semana que vem. Os dados recentes mostram um ambiente de inflação baixa e expectativas ancoradas, com atividade apresentando sinais ambíguos, sugerindo retomada ainda gradual, mas cada vez mais abrangente. Embora, em teoria, o recente choque de incerteza política pudesse ter efeitos ambíguos sobre a inflação, os últimos dados sugerem que o impacto tem sido, até o momento, predominantemente desinflacionário. Assim, esperamos que o Copom realize uma redução de 1 p.p. na reunião da próxima semana, mantendo o ritmo de corte em relação à reunião anterior. Para o ano, revisamos nossa projeção para a taxa Selic para 7,5% no fim de 2017 e 7% no fim de 2018 (acesse aqui).

Em julho, inflação surpreende para baixo

O IPCA-15 registrou variação de -0,18% em julho, coincidindo com o piso das expectativas de mercado. Com isso, a taxa em 12 meses recuou para 2,78%, patamar abaixo da banda inferior da meta de inflação (3%), após ter atingido 3,52% em junho. Segundo o IBGE, essa é a menor taxa para o mês desde 1998. O resultado reforça a tendência de queda da inflação observada nos últimos meses, refletindo um quadro de desaceleração disseminada entre seus componentes.

Governo aumenta tributos sobre combustíveis

Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento anunciaram a alta do PIS/Cofins sobre gasolina, diesel e etanol. Serão aplicadas alíquotas diferentes para cada tipo de combustível. A medida busca aumentar a arrecadação federal em R$ 10,4 bilhões, segundo expectativa do governo, e terá impacto altista no preço de combustíveis e na inflação. Em nota, o governo também anunciou o bloqueio de cerca de R$ 5,9 bilhões em despesas do Orçamento, a fim de garantir o cumprimento da meta fiscal de déficit de R$ 139 bilhões neste ano. Na nossa visão, mesmo com os esforços já significativos de contingenciamento dos gastos e o aumento de receitas, o cumprimento da meta de primário continua dependente da obtenção de receitas extraordinárias, o que se mostra tarefa ambiciosa.

Arrecadação federal alcança 104 bilhões de reais em junho

O Tesouro Nacional divulgou os dados de arrecadação federal de junho. O resultado, de 104 bilhões de reais, veio em linha com as expectativas, reafirmando a volta do crescimento real anual ao terreno positivo (Gráfico 2). À frente, acreditamos que o crescimento da arrecadação deverá continuar moderado.

Criação de 10 mil empregos formais em junho

Segundo o Ministério do Trabalho, a criação de empregos formais (Caged) foi de 10 mil em junho, abaixo das expectativas. Com o resultado, em termos dessazonalizados, houve destruição de 13,7 mil empregos no mês (Gráfico 3). Na abertura por setor, o destaque negativo continua sendo a construção civil (destruição de 13 mil vagas em termos dessazonalizados). Já o setor de serviços ficou estável pelo segundo mês consecutivo e o setor de comércio apresentou ligeira alta. Na nossa visão, a destruição de emprego vem apresentando uma menor intensidade do que a observada nos últimos meses, consistente com uma retomada gradual da atividade à frente.

Superávit em conta-corrente no primeiro semestre de 2017

O balanço de pagamentos de junho mostrou superávit em conta-corrente pelo quarto mês consecutivo (Gráfico 4). O forte superávit comercial segue contribuindo para os resultados positivos na conta-corrente. Esperamos que a combinação de preços de commodities mais baixos e alguma recuperação da demanda doméstica resulte em déficits um pouco maiores nos próximos meses. Ainda assim, o déficit em conta-corrente deve permanecer em patamar baixo ao longo deste ano, ajudado pelo bom desempenho da balança comercial.

Banco Central Europeu mantém estímulos

O Banco Central Europeu (BCE), em sua última decisão de política monetária, indicou que a decisão de iniciar a redução do ritmo de compra de ativos deverá ocorrer no quarto trimestre do ano que vem. Em seu comunicado, a instituição reafirmou que a retomada da atividade econômica segue cada vez mais disseminada na região, apesar de a inflação continuar moderada. À frente, acreditamos que a estratégia de redução de estímulos do BCE precisará ser gradual, cuidadosamente executada e claramente comunicada.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o Banco Central divulga sua decisão de taxa de juros na quarta-feira. Do lado fiscal, os dados de resultado primário do governo central serão divulgados na quinta-feira e o primário consolidado na sexta-feira (ambos para junho).

Do lado internacional, os dados de sondagem da atividade (PMI, na sigla em inglês) da Zona do Euro de julho serão divulgados na segunda-feira. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se reunirá na segunda-feira. Nos EUA, as atenções estarão voltadas para a decisão de política monetária na quarta-feira e o PIB do segundo trimestre na sexta-feira.

Pesquisa macroeconômica — Itaú
Mário Mesquita — Economista-Chefe

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