Inflação tem o menor resultado no primeiro trimestre

Itaú
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Apr 13, 2018 · 4 min read

Veja os principais destaques da semana com as notícias e as informações do nosso #EconomistaItaú

IPCA sobe 0,09% em março

O IPCA registrou variação de 0,09% em março, resultado um pouco abaixo da mediana das expectativas de mercado (0,12%). Com isso, a taxa em 12 meses recuou para 2,68%, ante 2,84% em fevereiro. No primeiro trimestre do ano, o IPCA subiu 0,70% (contra 0,96% no 1T17), o menor resultado da série histórica. Em linhas gerais, os dados de inflação corrente seguem em níveis baixos e com boa composição. A nossa projeção preliminar para o IPCA de abril aponta variação de 0,35%, com a taxa em 12 meses subindo para 2,9%. Projetamos inflação de 3,5% para 2018 e 4% para 2019. Vale notar que os principais fatores de risco para este cenário seguem atrelados às questões políticas domésticas e à evolução do cenário internacional.

Vendas do varejo recuam em fevereiro

As vendas no varejo recuaram 0,2% no conceito restrito e 0,1% no conceito ampliado (que inclui veículos e materiais de construção) em fevereiro, resultados abaixo da mediana das expectativas. Avaliamos que a variação trimestral dessazonalizada fornece um bom indicador da dinâmica recente das vendas do varejo. No conceito restrito, a variação trimestral ficou estável, enquanto no conceito ampliado avançou 0,7% no mês. O resultado positivo sinaliza que o consumo das famílias segue expandindo no primeiro trimestre do ano. Do lado de serviços, a receita real do setor subiu 0,1% em fevereiro, após ajuste sazonal, surpreendendo para baixo a mediana das expectativas de mercado.

Com a divulgação dos dados acima, completamos nosso cálculo do PIB mensal Itaú Unibanco (PM-Itaú) de fevereiro (acesse aqui). O indicador subiu 0,5% no mês após ajuste sazonal. Ante o mesmo mês do ano anterior, houve recuo de 0,5%.

Crescimento mais fraco da atividade no começo de 2018

Publicamos nossa revisão de cenário (acesse aqui). Apesar dos sinais de um PIB fraco no 1T18, os indicadores subjacentes de crescimento permanecem sólidos e, por enquanto, mantemos nossas projeções do PIB em 3% para 2018 e 3,7% para 2019. Para a taxa de câmbio, nossas projeções permanecem em BRL 3,25 por USD no fim de 2018, e 3,30 no fim de 2019, mas vemos riscos de baixa para a moeda brasileira, dadas as incertezas relacionadas às reformas domésticas, aos riscos geopolíticos e aos diferenciais de juros historicamente baixos. Do lado fiscal, estimamos o déficit orçamentário primário em 1,9% do PIB para 2018 e 0,9% do PIB para 2019. Por fim, a política monetária deverá ser flexibilizada ainda mais em maio — projetamos um corte de 0,25 p.p. na taxa Selic nesta reunião, finalizando o ciclo de flexibilização em 6,25%.

Risco comercial entre EUA e China aumenta, mas acordo ainda é provável

Os EUA e a China ameaçaram impor tarifas de importação recíprocas de 25% sobre pelo menos US$ 50 bilhões em bens comercializados de cada país. Além disso, o presidente Trump pediu que a Representação de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) analisasse uma escalada das tarifas de importação sobre um adicional de US$ 100 bilhões em produtos chineses. Do outro lado, a China prometeu responder proporcionalmente caso os EUA levem adiante essas novas ameaças. A chance de uma guerra tarifária “olho por olho” é um risco para o crescimento global, mas existe a possibilidade de uma solução negociada mais moderada.

Na ausência de acordo, um aumento tarifário modesto entre os EUA e a China poderia se transformar em uma guerra comercial. Nesse caso, os EUA poderiam impor tarifas de importação de 25% sobre US$ 200–250 bilhões de produtos chineses, e a China não seria capaz de retaliar por meio de tarifas de importação (já que o país importa apenas US$ 130 bilhões de produtos norte-americanos), tendo de recorrer a barreiras não tarifárias. A China poderia vender títulos do Tesouro dos EUA de suas reservas estrangeiras e/ou intervir no mercado de câmbio para desvalorizar o yuan. Esse cenário alternativo manteria alta a incerteza em torno da política econômica, e as barreiras comerciais maiores teriam um efeito significativo nas economias de mercados emergentes.

EUA: sem sinais de excesso de pressões inflacionárias

O núcleo de inflação ao consumidor subiu 0,18% em março, em linha com as expectativas. Com isso, a taxa em 12 meses atingiu 2,1%, reforçando indicações de que a inflação americana segue um processo de normalização gradual em direção à meta de 2%, em um contexto de demanda robusta e mercado de trabalho muito próximo do pleno emprego. Neste contexto, acreditamos que o Fed, Banco Central americano, provavelmente aumentará as taxas de juros quatro vezes este ano. Se a guerra comercial entre EUA e China se concretizar, as condições financeiras tendem a apertar e, assim, o Fed acabaria realizando apenas três aumentos.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o indicador de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) de fevereiro deve ser divulgado na segunda-feira. Na sexta-feira, destaque para a inflação do IPCA-15 de abril. Ainda sem data definida, os dados de março de criação de emprego formal do Caged devem ser divulgados. Do lado político, nova pesquisa Datafolha de intenções de votos para presidente pode ser divulgada a partir do próximo domingo (15 de abril).

Do lado internacional, as atenções estarão voltadas para os dados de vendas no varejo de março da economia americana, assim como a divulgação da produção industrial de março e o PIB do 1T18 da China (todos a serem divulgados na segunda-feira).

Pesquisa macroeconômica — Itaú
Mário Mesquita — Economista-Chefe

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