Taxa de desemprego atinge 13,1% em março

Itaú
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Apr 27, 2018 · 4 min read

Queda na taxa de participação compensa queda na população ocupada

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, a taxa de desemprego nacional subiu para 13,1% em março, ante 12,6% no trimestre concluído em fevereiro. A alta ocorre principalmente pela sazonalidade do mercado de trabalho. Usando o nosso ajuste sazonal, o desemprego ficou estável em 12,5%, com a queda da taxa de participação compensando o recuo na população ocupada. Os diversos indicadores do mercado de trabalho (PNAD, CAGED, sondagens, DIEESE/SEADE) mostram um quadro de avanço menos sólido da população ocupada e dos salários reais, o que afeta a perspectiva do consumo das famílias no ano e reforça o viés de baixa para a projeção de crescimento do PIB em 2018 (atualmente em 3%).

Indicadores de confiança recuam em abril

Os indicadores de confiança divulgados pela FGV apresentaram resultados negativos em abril. A confiança do empresário industrial recuou 0,7% no mês, influenciada por queda no componente de expectativas para o futuro (-1,3%), enquanto o componente de situação atual ficou próximo da estabilidade (-0,1%). Na mesma linha, a confiança do consumidor apresentou recuo de 2,8%, parcialmente compensando a alta de 5,3% no mês de março. Os indicadores de confiança do comércio, construção civil e setor de serviços também recuaram em abril, todos influenciados por correções nos componentes de expectativas para o futuro. Apesar dos resultados mais fracos no início do segundo trimestre, a evolução recente dos níveis de índices de confiança e da difusão dos principais indicadores mensais, continuam a refletir fundamentos mais favoráveis para o crescimento da economia, como maior expansão global, menor alavancagem das empresas e política monetária expansionista.

Governo central registra déficit primário de R$ 24,8 bilhões em março

O resultado primário do governo central, conforme divulgado pelo Tesouro Nacional, registrou déficit de R$ 24,8 bilhões, valor bem abaixo da mediana das expectativas de mercado. Acumulado em 12 meses, o governo central apresenta um déficit de R$ 119,5 bilhões, equivalente a 1,78% do PIB. Contribuíram para a surpresa no mês a arrecadação federal menor do que o esperado, assim como maiores gastos obrigatórios (por conta de adiantamento de pagamento de precatórios) e aumento nas despesas discricionárias. Mesmo com este resultado, mantemos nossa visão de que deve ser menos desafiador este ano o cumprimento da meta de déficit primário de R$ 161 bilhões (2,2% do PIB) e do teto para os gastos públicos. Em particular, os resultados fiscais de 2018 serão favorecidos por cerca de R$ 20 bilhões (0,3% do PIB) em receitas extraordinárias, entre elas R$ 8 bilhões (0,1% do PIB) referentes ao leilão de campos de petróleo ocorrido em março.

Pesquisa Ibope em São Paulo traz atualizações sobre o cenário eleitoral brasileiro

De acordo com a pesquisa Ibope realizada no Estado de São Paulo, em um cenário em que Lula concorre à presidência, ele obteria 20% dos votos no primeiro turno, seguido por Geraldo Alckmin e Jair Bolsonaro (ambos com 14%). Joaquim Barbosa e Marina Silva estariam empatados com 9% cada um, seguidos por Ciro Gomes, com 4% das intenções de votos. Em um cenário em que o ex-presidente Lula não concorre e Fernando Haddad aparece como o candidato do Partido dos Trabalhadores, Bolsonaro segue liderando com 16%, seguido por Geraldo Alckmin (15%), Marina Silva (11%), Joaquim Barbosa (9%) e Ciro Gomes (4%). Na maior parte destes cenários, vale notar que quase um terço dos eleitores disse que votaria em branco ou nulo.

Banco Central Europeu mantém estímulos

Em sua última reunião de política monetária, o Banco Central Europeu (BCE) manteve inalteradas as taxas de juro e o seu programa de compra de ativos. Em sua comunicação, a autoridade observou alguma moderação no cenário de crescimento econômico, e deve monitorar se o choque é temporário ou permanente, antes de decidir sobre os próximos passos de política monetária. Apesar da cautela, também indicou que a conjuntura atual permanece “consistente com uma expansão ampla e sólida”. Esperamos que o BCE adote uma abordagem cautelosa, com redução gradual das compras de ativos ao longo do 4T18 e conclusão em dezembro, seguida por um aumento dos juros em meados de 2019. Neste sentido, a comunicação e a orientação de política monetária futura devem ser ajustadas apenas gradualmente, dado que a inflação subjacente continua aumentando lentamente, mas ainda está longe de 2%.

Destaques da próxima semana

No Brasil, o IBGE deve divulgar na quinta-feira os dados de produção industrial referentes ao mês de março. Além disso, segundo o Supremo Tribunal Federal, o julgamento de um recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a sua prisão, no plenário virtual da Segunda Turma, será realizado entre os dias 4 e 10 de maio.

Do lado internacional, as atenções estarão voltadas para a decisão de política monetária do Fed, Banco Central americano, na quarta-feira. No mesmo dia, o PIB do primeiro trimestre da Zona do Euro deve ser divulgado. Na sexta-feira, os destaques serão as divulgações da criação de emprego formal e da taxa de desemprego da economia americana (ambos para abril).

Pesquisa macroeconômica — Itaú
Mário Mesquita — Economista-Chefe

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