
Taxa Selic de volta ao nível de um dígito
Veja os principais destaques da semana com as notícias e informações do nosso #EconomistaItaú.
Copom reduz taxa Selic em 1 p.p. para 9,25%
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, por unanimidade, realizar outro corte de juros de 1 p.p., levando a taxa Selic para 9,25%, em linha com as expectativas. Isso marca um retorno da taxa ao nível de um dígito pela primeira vez desde novembro de 2013. O comunicado que acompanhou a decisão sugere que o Copom pode estar inclinado a repetir o corte de 1 p.p. na sua próxima reunião (5 e 6 de setembro). Nós ainda visualizamos um cenário de desaceleração do ritmo de cortes, dada a crescente incerteza sobre as importantes reformas fiscais e institucionais, assim como o estágio do ciclo. Logo, por ora, mantemos nossa projeção de um corte de 75 p.p. na próxima reunião (o que já seria um ritmo rápido de flexibilização). No entanto, podemos revisitar essa expectativa com novos sinais vindos do Copom, especialmente aqueles contidos na próxima ata de política monetária, a ser divulgada na próxima terça-feira, 1º de agosto, às 8h de Brasília. Por ora, projetamos que a taxa Selic alcance 7,5% no fim do ano, contra um consenso de 8%, e reconhecemos os riscos de baixa em torno dessa projeção.
Resultados ambíguos de confiança em julho
Os indicadores de confiança, divulgados pela FGV, mostraram resultados ambíguos em julho. Para o empresário industrial, houve alta de 1,5% no mês, com resultados positivos em ambos os componentes de expectativas para o futuro (1,4%) e situação atual (1,6%). Na mesma linha, o indicador de confiança da construção civil subiu 0,5% no mês. Por outro lado, o indicador de confiança do consumidor recuou 0,4%, representando a segunda queda mensal consecutiva, ainda reflexo do recente aumento de incertezas políticas. O indicador de confiança também recuou 2,7% em julho (terceira queda consecutiva). Por fim, o índice de incerteza na economia, divulgado pela FGV, recuou 6,5 p.p. em julho, devolvendo parte da alta observada no mês anterior. Esse indicador é relevante para mapear o impacto de cautela dos agentes econômicos não explicada pelas variáveis de condições financeiras. Um número elevado está associado à maior incerteza e é negativo para a atividade econômica.
Desemprego em queda em junho
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, a taxa de desemprego nacional atingiu 13% em junho, ante 13,3% no mês anterior. Usando nosso ajuste sazonal, o desemprego recuou de 13% para 12,9% e continuou aproximadamente estável ao longo de 2017. A queda na taxa de desemprego foi consequência do aumento de empregados no setor privado sem carteira assinada e trabalhadores por conta própria, enquanto a população ocupada com carteira assinada segue recuando.
Nesse contexto, revisamos a trajetória da taxa de desemprego de nosso cenário (acesse aqui). Acreditamos que o desemprego deve continuar a subir nos próximos meses, atingindo seu auge (13,4%, após ajuste sazonal) no primeiro trimestre de 2018. Na nossa visão, a recém-aprovada reforma trabalhista terá impactos positivos sobre a eficiência do mercado de trabalho e pode afetar a taxa de desemprego de equilíbrio no longo prazo. No entanto, fatores cíclicos relacionados ao ritmo de retomada da atividade econômica são o principal determinante para a evolução do desemprego nos próximos trimestres.
Déficit primário de R$ 19,6 bilhões em junho
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 19,6 bilhões em junho, levemente abaixo das expectativas. Assim, o déficit primário consolidado em 12 meses subiu para 2,6% do PIB, ante 2,5% no mês anterior. Acreditamos que o cumprimento da meta fiscal para 2017 é o cenário mais provável, mas desafiador. Para que isso ocorra, é preciso que não haja frustrações adicionais nas receitas extraordinárias (principalmente sobre o novo Refis) e que o governo seja capaz de entregar contingenciamento de despesas de pelo menos 40 bilhões de reais neste ano.
Fed sinaliza início da redução de balanço
O Fed, Banco Central dos EUA, manteve as taxas de juros no intervalo de 1% a 1,25%, em linha com as expectativas. O destaque da reunião foi a sinalização de que seu processo de redução do balanço deve começar em breve (possivelmente em setembro), mantendo o discurso de que o ritmo de alta dos juros será gradual. A comunicação que acompanhou a decisão também indicou que a inflação desacelerou desde a última reunião, permanecendo abaixo de 2%, e reconheceu o ritmo sólido de criação de empregos formais. Na nossa visão, esperamos que a autoridade monetária suba mais uma vez a taxa de juros em dezembro deste ano.
PIB dos EUA cresce 2,6% no segundo trimestre
O crescimento do PIB dos Estados Unidos foi de 2,6% no segundo trimestre do ano, levemente abaixo das expectativas. Apesar do resultado, a demanda doméstica apresentou resultados robustos (1,9%), ainda que as variações de estoques (variação nula) e investimentos (0,3%) tenham apresentado resultados abaixo do esperado. Além disso, houve revisões importantes nos dados de PIB dos anos anteriores, com alta nos anos de 2014 e 2015, e revisão levemente para baixo em 2016. Olhando à frente, acreditamos que os resultados mais modestos de acumulação de estoques nos dois primeiros trimestres de 2017 devem se reverter no segundo semestre, consistentes com um cenário positivo para a atividade econômica dos EUA.
Destaques da próxima semana
No Brasil, o Banco Central divulga a ata de sua última reunião de política monetária na terça-feira. No mesmo dia, o IBGE divulga os dados de produção industrial de julho. Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados deve votar a denúncia da PGR contra o presidente Michel Temer.
Do lado internacional, destaque para as sondagens de atividade de julho dos EUA (ISM, na sigla em inglês) e o PIB do segundo trimestre da Zona do Euro (ambos na terça-feira). Na sexta-feira, as atenções estarão voltadas para os dados de criação de empregos formais e taxa de desemprego dos EUA (ambos para julho).
Pesquisa macroeconômica — Itaú
Mário Mesquita — Economista-Chefe
