Veja as dúvidas sobre inflação respondidas pelos #EconomistasItaú

O primeiro Facebook Live do Itaú levou os economistas Caio Megale e Felipe Salles para responder ao vivo as dúvidas dos internautas sobre um assunto que interessa a todos: inflação.

Em tom descontraído e de curiosidade, nosso primeiro Facebook Live alcançou mais de 770 mil pessoas online, em tempo real. Abaixo você pode assistir novamente ao vídeo ou navegar em texto pelas dúvidas que nossos economistas tiraram dos internautas sobre inflação ;-)

A inflação é que nem uma receita: são muitos os “ingredientes” que a causam?

Exato. Não há um único “ingrediente” que cause a inflação. São vários fatores, por exemplo, com a alta da conta de energia elétrica, várias empresas repassam esses custos aos preços finais, subindo os preços de maneira mais ou menos generalizada. Outro exemplo, quando o dólar sobe: vários produtos importados sobem os preços. Quando a economia está aquecida também, as pessoas compram muito e a demanda sobem, a gente vê a inflação.

Na economia tudo é interligado: mexe-se em algum fator isolado e a reação se espalha de muitas formas.

Inflação de 2015: o que aconteceu para uma alta tão expressiva de 10%?

Nossa inflação vinha controlada em torno de 6%, e de repente subiu para 10%. Ela já não andava tão em comportada — como é uma inflação bem-comportada? Quando os preços sobem todos mais ou menos no mesmo ritmo. A inflação de 6% que tínhamos em 2011, 12 e 13, vinha junto de tarifas públicas que não subiam, com preços quase congelados. Em algum momento esses preços tiveram que se ajustar, em 2015 a energia elétrica subiu até 70% em algumas cidades. A gasolina subiu muito também. O câmbio subiu quase 100% depois de 2014 e isso também pressionou a inflação.

Na verdade, a inflação de 2015 foi uma bolha de fatores e preços referente aos anos anteriores, que estouraram.

Inflação de 2016: como está o índice para este ano? Os preços vão subir muito?

A boa notícia é que os fatores citados acima sobre a inflação de 2015 ficaram no passado, está tudo mais equilibrado. Não teremos aumento da gasolina e da energia tão fortes esse ano. O dólar, que chegou a 4 reais, já está mais perto de 3 reais, então a inflação vai cair. Devido ao nosso passado de inflação muito alta, temos o que se chama de “inércia inflacionária”: quando a inflação sobe muito rápido, como no ano passado, quando ela volta a cair, ela cai devagarzinho, é o que estamos vendo agora.

A economia está passando por um momento difícil, de demanda fraca, então isso traz a inflação para baixo também, e essa queda é gradual (a inércia inflacionária). Mas houve ainda um problema climático recente que fez o preço de alguns alimentos, como feijão e leite, subissem muito rápido — como se fosse um soluço que atrapalhou um pouco essa queda da inflação.

Como são calculadas projeções de inflação por parte de bancos, institutos e economistas?

Vários fatores conjunturais são analisados, e feitas as projeções. Por exemplo, quando a economia está mais fraca, a demanda e o consumo estão mais fracos também. Então fica mais difícil para as pessoas aumentarem os preços. Logo, a projeção de que a economia estará mais fraca à frente, leva à projeção de que a inflação estará mais baixa também, e vice-versa. Se a economia começa a ficar forte, com muito consumo e crédito, isso tende a pressionar os preços. É necessário projetar o câmbio: se fica estável, alivia a inflação, se sobe, aumenta a inflação.

A economia tende a prever um comportamento humano, e para tanto utiliza a matemática e a correlação com fatos passados. Mas fundamentalmente é o que acontece nas relações entre consumidores, produtores, clima e câmbio, coisas muitas vezes difíceis de projetar com exatidão.

Quais os fatores que fazem o preço específico de um alimento subir, como feijão e leite?

*Pergunta enviada por Maria Santos, de Porto Alegre

Dificilmente será a demanda. Não costuma acontecer de todo mundo do dia para a noite começar a consumir muito mais leite, fazendo subir o preço. Tem mais a ver com a oferta: deu quebra de safra, os preços sobem, safra foi muito boa, os preços sobem.

Como foi viver em tempos de hiperinflação, como em 1993, quando o índice chegou a 2477% ao ano?

*Pergunta enviada por Cida Melo, de São Paulo

Com inflação muito alta os preços mudavam no dia a dia, e não mês a mês. Se você esperasse uma semana, a inflação já tinha subido e você comprava muito menos, ela corroía seu salário. Muitas vezes o troco era dado com doces e balas, pois o preço dos produtos era mais estável do que da moeda. Não se podia deixar dinheiro parado, no bolso, porque o valor mudava pouco tempo depois.

As empresas não conseguiam fazer um bom planejamento orçamentário com níveis de preço que variavam tanto. A inflação alta encurta o horizonte de previsibilidade, prejudicando o crescimento da economia pois ninguém investe nem contrata, além de corroer os salários e o consumo.

A inflação concentra a renda. Quem tem mais patrimônio consegue comprar dólar, se protege mais, e a massa populacional que vive com uma renda mais baixa, acaba ficando cada vez mais prejudicada.

Um pouco de inflação faz bem à economia?

Da mesma forma como inflação muito alta tem efeitos ruins, a deflação (queda sistemática dos preços) também é ruim, pois é um fenômeno associado à recessão, ao crescimento baixo. Do ponto de vista do consumidor pode parecer uma maravilha os preços caindo sempre, mas do ponto de vista do produtor é ruim: seu produto está com preço sempre caindo e o lucro mingua.

Então um pouquinho de inflação baixa, de 2 a 3% ao ano, não desorganiza a economia, ajuda a termos uma memória dos preços, e protege contra a deflação.

Por que o preço da gasolina e do diesel no Brasil são tão caros comparado a outros países?

*Pergunta enviada por Rafael Reis, de Minas Gerais

Vários produtos no Brasil têm muito imposto. Como pagamos mais impostos em comparação a outros países, isto aumenta os preços. Acontece com a gasolina, e com outros produtos também. O custo da gasolina é mais visível, está na bomba do posto, por isso sempre reparamos mais neste preço.

Quais preços, taxa e cobranças não podem subir acima da inflação?

*Pergunta enviada por João Pedro, de Natal

Existe alguns preços que, por contrato, sobem com a inflação passada. Mas não existe nenhum preço que não possa subir acima da inflação.

É possível que a inflação chegue ao centro da meta em 2017? Como estão as previsões de inflação para o ano que vem?

*Pergunta enviada por Marilene Martelli, de São Paulo

Poder, pode. Nossa projeção de 2017 já está muito próxima da meta, que é de 4,8% em uma situação de equilíbrio. A meta que o Banco Central estabelece trazer a inflação mais perto possível de 4,5% ao ano.

A nossa expectativa é que o dólar se mantenha estável, depois de meses de muita oscilação, de R$ 2,30 a mais de R$ 4. Com pouco movimentação do dólar, a inflação fica mais estável.

Qual o cenário inflacionário ideal?

*Pergunta enviada por Regina Souza, de Brasília

O cenário ideal é ter um pouquinho de inflação, quando os salários sobem e dão ganho de renda real para as pessoas, poder de compra.

Qual a relação entre a taxa de juros e a inflação?

O objetivo principal do Banco Central é trazer a inflação o mais próximo possível da meta, que é de 4,5%. O instrumento que o BC dispõe para tanto é a taxa de juros. Quando o BC sobe a taxa, há menos dinheiro circulando e a economia cresce menos, esfria, compra-se menos, e os preços caem. Na medida que o BC começa a ver os preços caindo, a taxa de juros pode cair um pouco.

Como está a inflação brasileira comparada a dos outros países da América Latina?

*Pergunta enviada por Thiago Martins, de São Paulo

A inflação brasileira está no meio do caminho comparada com nossos vizinhos. Há países com a inflação mais baixa, como Chile, Peru e México, mas há também países com inflação mais alta, como Venezuela e Argentina. E tem países similares, como Colômbia. Em comparação ao resto do mundo, são poucos os países que têm uma inflação igual ou mais alta que do Brasil, só países muito problemáticos.

Como é medida a inflação?

*Pergunta enviada por Madalena Souza, do Rio de Janeiro

A inflação tem muitos índices, o mais importante é o IPCA. A medição é feita por um censo nas famílias uma vez a cada 4, 5 anos, e o IBGE observa o que uma família típica consome: roupas, alimentos, veículos, escola, serviços, até ingresso do futebol, e etc. A partir deste cálculo, o índice observa como o preço de cada um desses produtos está se comportando e calcula a porcentagem de gastos de cada produto nas famílias. Todo mês os pesquisadores observam os preços desta cesta de 200 e poucos produtos, e calcula o índice geral.

A conta de energia deve subir mais e pressionar a inflação?

É normal que a energia oscile em seus preços. Mas um aumento da magnitude que ocorreu em 2015 é improvável. Boa parte da energia elétrica produzida no Brasil depende também do clima, pois é feita por hidrelétricas. Se há pouca chuva, os reservatórios secam e são utilizadas as usinas térmicas, que são mais caras e aumentam os preços da conta ao fim do mês.

A alta de preços que sentimos no dia a dia é maior que a alta oficial da inflação?

Nossa cesta de produtos tende a andar muito perto da inflação. Quando a inflação de alimentos sobe, temos a sensação de que a alta dos preços é muito maior, porque compramos alimentos todos os dias (25% da cesta de produtos calculadas para a inflação é de alimentos). Imagine que os alimentos subiram 10%, e que a televisão caiu 50%. Por comprar alimentos diariamente, e TVs muito eventualmente, sentimos que os preços de modo geral estão mais caros. Outro exemplo: quem tem carro vai sentir muito mais uma alta de preços quando a gasolina subir do que alguém que não utiliza carro.

Como uma alta da inflação nos EUA influencia a nossa economia?

*Pergunta enviada por David Amorim, de São José dos Campos (SP)

Da mesma forma como no Brasil o BC tenta combater a inflação subindo a taxa de juros, nos EUA não é muito diferente. Hoje os EUA estão com a inflação bem baixinha, há poucos anos estavam até com medo da deflação, como ocorre no Japão. Se por algum motivo a inflação nos EUA começar a subir, o banco central de lá vai subir os juros. Quando os juros nos EUA sobem, as pessoas tendem a botar o dinheiro nos EUA, pois com os juros mais altos rende mais. Quando isso acontece o dólar começa a fluir de volta para os EUA, e falta dólar nos outros países, deixando a moeda mais cara, e assim aumentando preço dos importados e gerando inflação aqui. Mas se a inflação nos EUA sobe bem pouquinho e o BC de lá não sobe os juros, não acontecesse nada.

O que é a “inflação pessoal”?

É a inflação de cada indivíduo, a alta dos preços dos produtos que você consome. Se você não come feijão, a alta expressiva do feijão recente não faz diferença no seu orçamento.

Estamos aqui para ajudar você a ficar ainda mais craque nos assuntos econômicos. Não faltam leituras legais sobre diversos temas financeiro, continue sua leitura conosco ;-)

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