Tudo ao mesmo tempo agora

Estou fazendo este texto no mesmo esquema em que fiz todos os outros: Tenho me sentido ansiosa o suficiente para querer colocar tudo para fora de um jeito que as pessoas vejam e eu não sinta que eu vá explodir, ou implodir. As vezes não adianta colocar um monte de informações colocar no papel para que ninguém além de mim mesma leia, ouvir um “eu entendo” dos outros ou saber que alguém viu o que te dá angústia as vezes é reconfortante.

As pessoas da minha geração têm um sentimento em comum: O feeling de que a vida está passando rápido demais diante dos seus olhos e você não está aproveitando o suficiente, não está fazendo nada dela.

Estou naquela transição da vida adolescente para a vida adulta, exatamente aquela parte da vida em que você descobre que ser adulto é uma merda e que você se pergunta “sério que meus pais me colocaram no mundo pra isso?”. A gente sabe que não foi para isso.

O problema é que o sonho da família de comercial de margarina nunca vai se estender até seus filhos estarem velhos o suficiente para chorar no banho numa tentativa frustrada de manter certa dignidade. A família da margarina provavelmente foi inventada para que seus pais chorassem menos no banho.

Como eu estou estudando para ser artista (sem saber se vou conseguir chegar lá, afinal de contas ainda não apertei as mãos certas) vivem me repetindo que como artista a minha função é tentar entender e representar o meu tempo.

Ao mesmo tempo que me influenciam a isso, fico presa em discussões de horas a respeito de questões abstratas da filosofia sobre a existência da realidade, se a realidade digital é a mesma que a nossa e como podemos fazer certas coisas da maneira menos agressiva possível no meio de tanto ódio e etc.

Enquanto acadêmicos discutem se tudo é valido porque a verdade absoluta não existe (ou não) as coisas palpáveis vão acontecendo debaixo do meu nariz. Elas nunca param de acontecer.

As coisas impalpáveis também não, nem a ponte entre essas duas realidades.

É tudo constante.

Posso passar horas discutindo se o que acontece é real ou não, mas a frustração, as dívidas, a falta de estabilidade financeira e emocional, a solidão, o isolamento e outras coisas banais que fazem parte da vida adulta contemporânea parecem ter um peso real para mim.

E parecem ter um peso real para todos os outros a minha volta.

Tanto é que boa parte dos jovens adultos acabam reclamando da mesma coisa no facebook regularmente: A falta de proximidade emocional das pessoas.

Não me admira nem um pouco, na verdade. As pessoas não aguentam lidar nem consigo mesmas quando param de trabalhar, imagine se dedicar a outra pessoa totalmente?

Já perdi as contas de quantas pessoas se afastaram de mim por ser “densa demais” (como se eles fossem totalmente vazios, despidos de qualquer emoção de pessoas básicas e emocionalmente inferiores e descontroladas). A verdade é que essas pessoas são tão fodidas quanto todo mundo.

Indo além: É muito provável que as pessoas que reclamam do distanciamento emocional dos outros também não tenham aptidão nenhuma para conseguirem intimidade com outras pessoas na hora do confronto real.

É sintomático, a gente não tem mais tempo/estrutura/capacidade para lidar com isso.

É mais fácil se preocupar com questões abstratas do que lidar com o que está sendo esfregado no nosso nariz.

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