MEIOS, TERMOS E MEIO-TERMOS DE FINS JUSTIFICÁVEIS

Era uma tarde de fevereiro quando X descobriu que curtia Y mais que curtia outras coisas. Curtir coisas já não era seu forte (nem mesmo no Facebook!), e curtir Ys era certamente um risco. Curtir Y era quase entrar em um barquinho de papel e navegar na direção que uma bússola quebrada escolheu apontar, visto que ele meio que era uma mistura violenta de meios; esses meios que, listados, cobririam todo o Pacífico (talvez até alugassem alguns quilômetros do Atlântico). Meios que, listados em cores diferentes, haveria a necessidade de criar mais cores primárias para mais tons de originarem de, ou quem sabe era só pedir algumas emprestado dos olhos dele. Quem sabe ele estaria disposto à fazer uma troca estilo Odin, que deu um olho pela sabedoria; seria um olho por cores. Quem sabe essas cores e a listagem colorida pelos oceanos de todos os meios de Y poderia fazer X esquecê-lo; coisa que daria todo um novo significado para “olho por olho”, visto que tudo o que X via em seus olhos agora, em uma tarde de fevereiro, era Y.

E durante as pensadas de X de valer a pena listar os meios de Y nos oceanos, ele andava pelas ruas frias de uma tarde de fevereiro, e enquanto as ruas frias de uma tarde de fevereiro corriam e se abraçavam, os prédios baixos da cidade pequenina gargalhavam. Gargalhavam por falta de comédia, já que era uma tarde fria de fevereiro e nem todo mundo decidia ter os pensamentos engraçados tremendo de frio. Mas X não era todo mundo, não só por fazer parte da pequena porcentagem de punks que escutam outros gêneros musicais sem precisar passar por terapia mas também por pensar bem engraçado (pelo menos para uma tarde fria de fevereiro), confirmado isso com os prédios literalmente pescando sua comédia em seus pensamentos romântico-oceânicos (o que também poderia ser os pensamentos do roteirista de Titanic ou de A Pequena Sereia). X, tolo, listas não curam um coração.

Listas não curam um coração, por mais coloridas que sejam, mesmo se forem escritas por canetas brilhantes com aroma de morango ou pêssego, ou com o sangue do bocal do louco. Listas não curam um coração, assim como jornais não curam conjuntivite ou abacates não curam câncer. Listas só curam vazios, e nem são vazios no coração, listas curam vazios em folhas de papel; papel listado (em dois sentidos) este que talvez possa virar um barquinho de papel para navegarmos em direção que uma bússola quebrada escolheu apontar, coisa que seria em vão, já que isso era como curtir Ys. Isso era o fim.

X era o fim. X era um conjunto de fins e inícios, carecia de meios. Meios que poderiam justificar seus fins! Nicolau Maquiavel, tolo, fins não justificam meios. X era os fins e nunca, nunca mesmo, mesmo sob um barquinho de papel listado rumo ao Pacífico, poderia justificar os Ys. Os Ys justificavam os inícios e os fins e os quase-no-meio e os quase-no-fim. Os meios justificavam até os príncipes políticos e reis tiranos; os meios justificavam de Ys à Ys, de inícios à fins, de Maquiavel e Os Príncipes à Platão e Cidades-Estados. E de trás para frente. A tinta de meios era infinita, sua caneta era fonte inesgotável de meios e justificativas. Enquanto X era uma canetinha recarregável e poluente que acabaria antes de terminar uma lista de super-mercado. Portanto X nunca poderia listar Y, ou listar meios, ou escrever uma boa piada para os prédios baixos da pequenina cidade terem uma boa piada para gargalhar, invés de rirem de fins que justificam meios, piada ultrapassada e um tanto Maquiavélica; e sem poder pregar suas listas e palavras no oceano Pacífico, X se contentava com uma tarde fria de fevereiro e meios que justificavam os fins e descobertas que piratas, mesmo hoje, invejariam.

ou
I) QUANDO X & Y SÃO APENAS VARIÁVEIS
II) QUANDO X & Y SÃO APENAS DOIS EM VINTE E SEIS
III) QUANDO DUAS LINHAS FORMAM REPRESENTAÇÕES DIFERENTES
IV) QUANDO MAQUIAVEL ERA SÓ UM EM VINTE QUATRO