Acordar

Abriu os olhos. A claridade por uns breves instantes lhe cegou e lhe cegou de forma que já não mais sabia diferenciar o certo do errado. A moral e a verdadeira justiça, imparcial e sábia se mesclavam num borrão e tudo parecia tão cinza.

Decidiu que redescobriria o mundo a sua própria maneira e não ouviria a claridade e sabedoria dos outros. Decidiu que preferia o branco ou o preto ao cinza. O cinza era confuso e bem, se já não sabia quem era ou o que era certo e errado preferia que pelo menos as cores fossem bem definidas. Fortes e intensas, honestas consigo mesmas, fiéis e verdadeiras às suas verdadeiras essências.

Desejou ser assim, sabia que nunca tinha sido tão dono de si e se havia ganhado uma nova chance a aproveitaria. Percebeu que o otimismo era algo que parecia ser tendencioso a si, decidiu que o abraçaria. Caminhou então pelos corredores brancos, decidiu que ao invés de odiá-los os amaria. Algo dentro de si se remexia e parecia lhe alertar que aquele lugar não costumava ser o melhor dos lugares, mas decidiu que o amaria mesmo assim.

No final do corredor a ala ganhava uma coloração maior, menos limpa e mais cheia de vida, sorriu inconscientemente ao sentir o cheiro de crianças, ao ouvir o barulho das risadas e ao sentir a inocência que rondava pelo ar. Ele soube que era ali que deveria procurar a distinção de cores, a definição do ser e a ingenuidade de ver o mundo todos os dias como se não soubesse nada dele.

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