As cores da depressão

Tentei encontrar alguma relação entre esse texto e algo relacionado ao universo de Gotham, pensei no “carnival”, mas não acreditei que fosse exatamente o que procurava. Esse texto é muito mais sobre mim do que metáforas.


Aos 17 o mundo havia perdido a graça, não existiam mais motivações ou coisas que me agradassem. O mundo era feito de escalas de cinza, tudo tinha praticamente a mesma forma; muito raramente algo me chamava atenção. Dei a volta por cima, concluí duas faculdades e hoje tenho um trabalho que gosto.

A vida tem fases ruins e boas, óbvio que não são na mesma proporção, nesse quesito o universo não usa balança.


Agora com 28, acometido de outro quadro de depressão, consigo ver as cores que existem e isso também se tornou um problema.

Durante atividades que exigem minha concentração (ultimamente tem sido apenas o trabalho), o mundo ganha tons pastéis, vez enquando, com o estímulo de terceiros o mundo torna-se mais vivo e divertido. Nos outros momentos (seja, dirigindo, sozinho, banho, etc), as cores são vibrantes, machucam a córnea, seria melhor que fossem preto e branco apenas.

Minha mente me castiga e tudo aquilo que não tenho vontade de fazer ou não posso ter ganha uma cor absurdamente forte. Quando digo não posso fazer/ter, refiro me a:

  • Literalmente não poder por questões financeiras (até aí tudo bem)
  • Minha mente dizer que não mereço (aí que está o problema, pois fico me castigando a ponto de algumas semanas atrás ter sofrido de uma crise de ansiedade)

Não me sinto mal por ver o mundo berrar as cores que ele tem, mas sim, por saber que nesse luta o único adversário que tenho é minha mente e que embora inimigos, dependemos um do outro para sobreviver (embora um de nós pense que não).