Coringa: o Eunimigo

Acredito que o Coringa dispense apresentações.


Sei que essa doença é apenas um distúrbio químico. Meu organismo é incapaz de gerar ou receber certos neurotransmissores, mas minha mente cria um inimigo tão forte, tão esperto e exatamente meu oposto. Sou meu próprio inimigo. Sou meu Eunimigo.

Na história em quadrinho “A piada Mortal”, vemos a origem do Coringa e sua empreitada em mostrar que basta apenas um dia ruim na vida de uma pessoa, que ela irá perder o controle. Quando você convive com a depressão é uma luta diária entre não perder o controle e o Coringa falando em seus ouvidos o quão cansado você está, como é difícil aguentar, tirando o valor das coisas e uma série de outros tipos de idéias.

“Vestir-se” com o manto do Batman e espancar a cara do Coringa ajuda, porém não é todo dia que isso ocorre. As vezes a capa pesa, os batarangues erram e você cai. O Coringa fala sem parar e já sem forças, você sucumbe.

Uma crise profunda, uma euforia descontrolada, etc. O pior desfecho é com certeza o suicídio. O Coringa não se importa se vai morrer junto com você.

Ele venceu.

O seu “eu” venceu.

Não deixemos o Coringa vencer. Não é fácil. Não será fácil. Mas todos temos alguém em quem se apoiar, sejam parentes, amigos, instrutores religiosos, etc. O Batman tem e sempre teve apoio de bons amigos, ele só é o Batman por conta disso.

A depressão é a luta contra o adversário mais difícil de ser abatido, o inimigo que conhece todos seus pontos fortes e fracos, é a luta mais árdua, pois se trava todos os dias, é a luta para deixar apenas “um de você” no controle, é a luta contra seu Eunimigo.