Big bang corpóreo

É engraçado pensar que… Bem, é engraçado pensar que repentinamente os rumos do sentir ousaram se sobrepor à razão. É coeso acreditar que se foi o controle, ao passo em que a movimentação sequencial se deu apenas através do suspiro…

Passe de mágica; vento sem direção; meu passaporte para o inanimado e impossível conto… Sinto as pétalas de sua aura. Não é como se fosse palpável, mas é completamente tragável. Contorna meu imaginário; mexe com meus sentidos; desestrutura o pulsar do que me mantém vivo.

Sofro! E não apenas por um ou dois motivos. Sofro por não saber contornar a passagem de ar que ensurdece minha mente. É como o badalar de um sino gigantesco, em uma sonora que, através de vórtice, fulmina minha alma.

Não posso reclamar dessa melodia. Ela mexe comigo. Ela me faz sentir que existo a todo instante, e igualmente me faz recordar o temor da existência.

Sintomas de paradoxo que amordaçam meu racional. Em nenhum momento pediu licença, de modo que se desconhece o tempo de pousada.

E pode durar dias; semanas; meses… Ou pode durar para todo o sempre, ainda que pareça não ter durado nada.

Metamorfose. Sucumbe o que sublinha minha alma. Faz-me renascer toda vez que a brisa de teus olhos recorda da minha existência, por toda eternidade que os milésimos de segundo de choque ocular possam propiciar.

Sentido! De modo algum tenho noção de onde estou. Pontos cardeais? Se quer da lua ou do sol disponho. Como se pudesse ter controle da direção que você me faz seguir.

Caminho no escuro do teu desconhecido. É medo. É alegria…. Se de repente às luzes se ascenderem, os olhos ei de fechar. Quero viver com a ótica de todos os sentidos que você fez renascer. Quero, e apenas preciso, lembrar do semblante que me fez perder o fôlego, culminando na perda de minha visão.

Quente. Palpitações corpóreas. Eu provavelmente nunca me senti tão humano. Foste da tactilidade dos lábios ou do olfativo teor de sonho. E mesmo das vezes em que senti meus olhos umedecerem, lhe agradeci por lembrar quem eu sou.

E você se quer sabia. Se quer podia imaginar o efeito que tinha sobre mim. Então, agi como a melodia que embala uma sinfonia. Abandonei as correntes que me prendiam ao medo. Deixei que surgisse o refrão. E, então, a canção de minha alma passou a ser trilha sonora de meu novo recomeço. Você escutou…

Assim, foi-se a gravidade. Sem pesos, sem medidas. Apenas atmosfera orgânica. Meu passe de certezas para o até então impossível terceiro eixo… Adeus, dualidade!

Estático, e sem precisar mais do que o congelamento do tempo. O olhar sem alvo que cocria a diegese. A narrativa que neblina quem eu mesmo acreditei ser.

Pane! Então, como em um insight, perdi toda ideia de chegada. Apenas encaixei as chaves e pincelei a embreagem.

Estou na estrada, despido de tudo que acreditei dispor até então. Minha forma origem, minha alma sem corpo, não sabe onde irá chegar, e nem faz questão de saber.

Se em algum momento você for meu destino, que sejam as estrelas testemunhas da explosão de partículas que ao infinito se destinarão.

Foi-se padrão. Foi-se razão. Foi-se prisão.

Sintomas, apenas sintomas de uma paixão…