[Boeing 737–800] [Última chamada]

Movimento o corpo devagar. Ele pesa. Tem uma armadura sobre ele. Metal forte, bonito, bem cuidado, bem lustrado. Mas pesado, muito pesado.

Vou tirando, pedacinho por pedacinho deste peso. O som ensurdecedor das partes de metal tocando o chão parecem um sussurro diante do meu grito.

Eu não entendo direito, mas algo se mexe aqui dentro. Lágrimas guardadas dos últimos meses acabam transbordando no movimento, saindo do meu corpo sem autorização alguma.

Me desfaço do disfarce. Estou nu. Em pé, respirando fundo, respirando rápido.

E então minha pele muda, vira aço. Meus ossos ficam mais fortes. Meu corpo é duro feito rocha, mas se movimenta leve com o ar. Meus pensamentos são fortes como as chamas do sol, mas se movimentam na fluidez da água em seu eterno ciclo de ir e vir.

Sinto-me livre. Sinto-me leve. Sinto-me.

Na minha cabeça, meus cabelos se moldam em uma coroa de cachos. Percebo: finalmente me tornei rei de mim.

Levanto os punhos, olho pra frente, pro escuro, e esboço um sorriso ainda banhado por lágrimas. Espero o próximo, espero chegar. Construo o futuro.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.