Uma análise antropológica dos “emojis”
Provavelmente foi com uma maquina de escrever que alguém viu pela primeira vez que a combinação simples de dois caracteres poderia abrir espaço para um jeito completamente novo de comunicação.
A sequência simples que consistia de um dois pontos e um parêntese fechado[: )] tinha dado início a um jeito diferente de transmitir emoção pela escrita. Uma revolução, por assim dizer.

Se você tem até 20 anos, você já deve ter passado mais tempo vendo essas carinhas do que o rosto da sua mãe
Voltemos juntos ao tempo em que a escrita manual com o bom e velho lápis era tudo que tínhamos. Passar um sentimento era uma tarefa árdua, as palavras precisavam ser meticulosamente escolhidas para que o leitor entenda corretamente qual o sentimento ali transmitido.
É fácil distinguir raiva de amor, mas e surpresa e felicidade? E quando se quer passar a sensação de uma surpresa feliz? Será que é diferente também??
MEU DEUS QUANTAS DÚVIDAS
Pois é, não era nada fácil
Agora vamos adiantar um pouco, logo após a “invenção” do : ). Não era mais preciso que longos textos fossem usado para dizer que alguém estava feliz, em vez disso apenas 2 caracteres eram utilizados. O que poupava espaço e passava com bem mais clareza a mensagem.
Sem dúvidas, após perceber o tamanho da sua concepção, o responsável pelo : ) foi atrás de mais. Logo de cara viu que trocando apenas o parêntese fechado uma gama de possibilidades se abria, primeiro o óbvio : ( foi manufaturado, agora tínhamos as duas maiores emoções resumidas a apenas 2 caracteres.

Já começava a ficar claro que isso era algo grande, de fato uma revolução.
O tempo só fez aumentar a quantidade dessas representações gráficas, agora chamadas de emoticons, um acrônimo para emotion icon, que em tradução livre fica algo como “símbolos de emoção” (Aqui também tem cultura)
Logo os computadores invadiram o mundo e a velocidade da comunicação aumentou. O dinamismo nas conversas virou prioridade máxima. Ninguém podia mais se dar ao luxo de sequer escrever palavras inteiras então abreviações — se é que da para chamar disso, pois tenho quase certeza que existem padrões gramaticais para abreviar algo e “tbm” ou “mto” certamente não seguem eles —foram criadas. Logo frases inteirar já recebiam uma versão reduzida à 3 letras, como o clássico “fds”.
E sabe o que funcionava perfeitamente com dinamismo? Os emoticons
As empresas que criavam softwares de comunicação perceberam rápido isso e então resolveram que não só os implementariam como iriam fazer um upgrade.
Foi em 22 de julho de 1999 que o Windows Live Messenger, popularmente conhecido como MSN, lançou para o mundo. Um serviço simples de troca de mensagens instantâneas, como outros da época. O motivo do seu sucesso explosivo não vem ao caso aqui mas por ser o mais conhecido será a minha escolha para uso. Já implementado nele, uma lista simples de figuras redondas amarelas com traços formando o que lembrava um rosto e algumas outras figuras.

Ali estava a epítome da comunicação dinâmica
Agora você não só podia rir sem escrever nada como podia rir com intensidades diferentes apenas clicando em um rostinho com um sorriso um pouco mais aberto.
A partir dai a coisa só aumentou. O próprio serviço da Microsoft te dava oportunidade de criar seus próprios emoticons, gerando uma quantidade absurda de pequenas representações de sentimentos ou vontades.
A tecnologia não parou e com ela os smartphones vieram; novamente a comunicação dinâmica ficaria ainda mais dinâmica.
Com todo o legado dos computadores para se apoiar, foi fácil manter o ritmo. Logo os primeiros programas de comunicação pela internet foram criados e já vieram juntos com um arsenal pesado de emoticons, agora mais apropriadamente chamados de emoji, palavra que deriva de uma combinação de termos japoneses e tem como tradução “pictograma”.
É nítido que o número dessas coisinhas só aumenta, e essa é a tendência mesmo. Nossa busca incessante de falar mais com menos nos leva a isso.
O que nos leva a pensar um pouco
O único motivo da linguagem falada e escrita ter evoluído foi para que nós pudéssemos transmitir com clareza o que pensávamos. É no mínimo irônico perceber que a tendência natural da humanidade é o simplismo, dada a sua constante necessidade de complicar as coisas. Vagarosamente voltamos para a era das pinturas rupestres e da comunicação oral por berros.
E ainda sim nós que somos os evoluídos