“Ruptura: qual a sua Ruptura?” — Saindo da caixinha e mudando paradigmas

Ruptura, o evento que integra uma incipiente revolução no ensino superior brasileiro e que pode mudar sua forma de enxergar o mundo

Depois de cinco anos e meio sendo aluno da UFMG, não consigo deixar de refletir sobre a experiência que tive nos últimos anos.

E numa mistura de saudosismo e de revisão crítica, escrevo esse texto pois um dos melhores eventos que a UFMG já me proporcionou, o RUPTURA, está chegando.

Se depois de tanto tempo de curso eu posso dar alguma dica para alguém que ainda está estudando, ela seria: não deixe essa oportunidade passar.

O Ruptura, para quem não sabe, é um evento que busca trazer o empreendedorismo mais próximo à realidade dos estudantes de graduação. Uma parte é expositiva, onde são realizadas palestras, feiras de startups, e apresentações de cases. A outra parte, o bootcamp, é uma forma de aprendizado mão na massa das principais etapas, ferramentas, métodos, técnicas, e (por que não?) emoções do universo do empreendedorismo. Ah, e também é um evento democrático, para alunos de qualquer universidade e curso.

Vou direto ao ponto: o Ruptura me propiciou uma série de experiências que eu não tive acesso ao longo de minha graduação. Essas, por sua vez, provocaram em mim uma mudança de paradigma.

Bem, acho que antes de qualquer coisa o Ruptura já é uma ruptura pois reduz aquele gap enorme entre o que se ensina na sala de aula e o o mundo real.

Por exemplo, lá eu aprendi que, em alguns casos, é necessário pedir perdão, não permissão. Essa é uma frase meio clichê no mundo do empreendedorismo, mas que vale a pena pensar sobre ela. Nem sempre é necessário ter o respaldo de alguém para fazer as coisas — nós precisamos ter mais confiança nas nossas ideias para fazer algo diferente (e claro, sempre respeitando as regras e tendo bom senso).

Eu sempre odiei incerteza: não saber qual é o próximo passo, qual a probabilidade de sucesso, qual a resposta certa, etc. Meu curso e as disciplinas que cursei fortaleceram isso, sempre havendo um caminho bem definido a se seguir. As poucas disciplinas que tinham incertezas foram muito estressantes, pois não estávamos habituados a tomar as decisões e responsabilidades envolvidas. As atividades do Ruptura, por outro lado, me fizeram enxergar que a incerteza, o erro e pivotar (não posso me esquecer da frustração inerente desse processo) são importantes e necessários para um trabalho inovador.

Aprendi também um pouco das ferramentas, métodos e técnicas em geral utilizados no universo do empreendedorismo, sempre ressaltando-se que cada caso é um caso, não há um caminho bem definido que leva ao pote de ouro — ou seja, não há livro de soluções.

Também tivemos uma aula genial sobre formação de equipes: quais os perfis que um bom time deve ter, como eles se relacionam e são complementares. Essa palestra evidenciou a necessidade e importância da colisão de ideias provenientes de pessoas com formações distintas. Trabalhar com alunos de outros cursos é uma das maiores qualidades do Ruptura.

A experiência toda do Ruptura me levou à seguinte conclusão e mudança de paradigma: devemos ser mais makers. Desde então tento correr atrás, mais ativamente, dos meus sonhos e ideias, sem medo de correr riscos, errar e ser criticado. Tento pensar fora da caixinha e fazer fora da caixinha.

Não deixe essa oportunidade passar! Participe e ajude a construir um ensino superior cada vez melhor.


Esse texto não deve ser interpretado como uma crítica ferrenha à UFMG, nem mesmo como uma manifestação de insatisfação. Na minha atual perspectiva, os sete tópicos apresentados acima são instâncias que poderiam ser melhor ofertadas pelo nosso sistema educacional (seja escola, curso técnico, faculdade, etc). Eles envolvem um mindset pouco explorado e que pode potencializar a capacidade de inovação dos jovens brasileiros.

Destaco ainda que o Ruptura, por si só, já é uma mudança nessa direção. Ter uma universidade pública oferecendo um evento com essa temática, desse porte, a um custo baixo e com essa infra-estrutura já é um ótimo sinal. Há também uma série de outras iniciativas, como por exemplo o ENG200, que reafirmam esse compromisso da universidade.

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