Notinha
“Não foi acidente.
Me desculpem os poucos a quem importo. Não pude suportar a mediocridade. A da vida e a minha.”
Foi essa a mensagem que encontraram no bolso de Roberto. Morto.
O papel já meio amarelado, puído, amassado, mostrava que há algum tempo estivera ali guardado. Aguardando.
Não houve choro nem vela. Não houve tristeza. Mãe, esposa, filhos, primos, irmãos, gato. Todos leram, sem lágrimas, a notinha que Roberto havia deixado. Pairava no ar apenas uma interrogação silenciosa.
Pra que seguir em frente?