Até que ponto conviver é socializar prejuízos ?
Gostaria de fazer uma reflexão sobre a aparente necessidade humana de convivência e sua eventual relação com o princípio da socialização dos prejuízos, inerente ao convívio social. As pessoas precisam umas das outras, ao menos é o que demonstram os fatos. As pessoas precisam umas das outras para alcançarem metas que, individualmente, não conseguiriam: grandes construções, reprodução da espécie humana, prazer sexual (pois o sexo parece ser bem mais amplo e divertido do que a simples masturbação), proteção contra inimigos humanos e naturais, além de outros projetos que exigem a cooperação de muitas cabeças e mãos. Por outro lado,o princípio da socialização dos prejuízos estabelece que conviver é perder, pois, na mesma medida que ganho do que a coletividade produz também preciso perder do que eu produzo em favor da coletividade. Com outras cores e títulos esse é o principal problema enfrentado por cientistas e filósofos nos últimos 500 anos, hoje com uma agravante: o frenético crescimento populacional (mais que 7 bilhões de pessoas querendo iphones, nikes, bikes, guitarras, diplomas universitários, imóveis, carros, sexo, entretenimento e etc.). Denovo: necessidades humanas infinitas e recursos naturais limitados… Malthus já chamou a atenção para o fato de que o crescimento populacional é geométrico e o crescimento da produção de alimentos é aritmético, então o colapso seria inexorável. A história e outros pensadores mostraram que Malthus não considerou a força da tecnologia e da indústria para equiparar os crescimentos populacional e de alimentos. Garret Hardin mais uma vez tocou no assunto num artigo de 1968 que tratava da “Tragédia dos Comuns” (Tragedy of Commons): os indivíduos pensando na maximização dos seus ganhos (lucros) destroem o todo comum (exemplo: vários fazendeiros explorando o mesmo pasto com seus bois); portanto não existira solução técnica para o problema, mas somente solução moral. Olinor Ostrom, ganhadora do Nobel de Economia em 2009, mostrou que várias pesquisas empíricas apontaram que a cooperação pode ser uma solução técnica para o problema de Hardin.
http://ivannizer.blogspot.com.br/2014/04/ate-que-ponto-conviver-e-socializar.html
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