Me perdi.
Em algum lugar essa tarde, a noite passada, semana passada, mês passado me perdi… enfim… não me lembro bem ao certo… mas o fato é que me perdi.
Não me sinto, não me percebo, apenas tenho a convicção de que me esqueci no caminho, de que alguma coisa não está bem…
Me esqueci no meio do caminho que leva a lugar nenhum, que leva ao outro lado da cidade, ao outro lado da verdade, ao topo do morro onde eu quis subir quando criança.
O que sobrou do meu eu ? Fotos ? Vozes apagadas ? Nada ? Talvez…
Vagando pelas ruas escuras da opinião de quem me detesta encontrei uma frase de amor pichada num muro sem graça. Me aproximei, e era um muro comum, sem tinta, sem força, sem fé. Não achei graça…
De fato, tudo deu errado… e talvez o errado seja certo, e para as pessoas o certo seja tão bobo que não vale a pena saber…
Não… não há nada além do que as sensações que as pessoas podem me oferecer. O resto é dinheiro, é tesão… é tudo isso e a avenida paulista inteira numa lata de coca-cola.
Ser feliz é ter tudo e isso não valer a pena.
Me perdi: em algum lugar da Rua Augusta, da Praça da Sé (que saudade daquela mendiga que sempre joga um jornal molhado em mim! ), de São Roque-SP, de Guapiara-SP, de Moscou. Me perdi bem antes de perceber que existia um caminho…
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