Uma análise filosófica para a origem dos traumas.
Gostaria de fazer uma breve análise filosófica para a origem dos traumas, diversa das abordagens psicológicas de Freud (desejos sexuais reprimidos) ou Carl Jung (psicologia analítica da individuação) ou ainda a brilhante abordagem morfoneurofisiológica de Eric Kandel sobre a memória, por exemplo. Gostaria de analisar os traumas sob a luz da interrelação entre conceitos e contextos que são experimentados racionalmente pela consciência ao conhecer o mundo. Kant propôs, na sua sua “Crítica da Razão Pura”, que o conhecimento se começa com a experiência, mas o conhecimento não se origina necessariamente com a experiência, pois conceitos “a priori” como espaço e tempo são inerentes à Razão humana, e simplesmente nada pode ser pensado fora ou desvinculado desses conceitos da Razão. Ainda, Kant estabelece que a Razão tem limites, e que certos conceitos como “Deus”, “A imortalidade da Alma” ou “O tamanho do Universo” extrapolariam os “limites da Razão”, sendo assim objetos da fé de cada indivíduo e impossíveis de serem analisados pela Razão (para Kant, a própria fé seria uma forma da Razão entender aquilo que está para além dos seus limites). Schopenhauer, na sua obra “O mundo como vontade e como representação”, traz o interessante conceito de que um dos atributos que diferem pessoas de objetos (mesmo que os dois sejam objetos físicos) é que as pessoas podem perceber racionalmente que seus corpos são objetos entre objetos, o que talvez nenhum outro animal possa saber de forma racional. Assim, considerando uma Razão que conheça o mundo a partir da experiência e que note que seu corpo como um objeto entre objetos, penso que um trauma pode ser a comprenssão racional de que certas experiências (geradoras de novos conhecimentos) não vão ou não tendem a se concretizar, e que portanto a existência física da pessoa se submeta a uma tendência menor ou nula de experimentar mais vezes a prazerosa conclusão de que seu corpo é de fato um objeto entre objetos (pessoas ou outros objetos inanimados). Isso parece esclarecer um pouco do que porque pessoas sem amigos, sem conhecimento de mundo, sem vivência de experiências materiais e/ou intelectuais ou antisociais tendam a acumular frustrações e traumas.
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