Revenge | 3ª temporada segura a tensão com reviravoltas 

O rastro de sangue só para com uma “ressurreição”


“Antes de embarcar em uma vingança, cave duas covas”.

Foi com essa citação que iniciava a série Revenge, há três anos. Entretanto, se tem alguma frase que pode definir bem o que foi visto é esta: A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena, que diferente da primeira, creditada ao filósofo chinês Confúcio, esta outra ganhou fama na série Chaves, da boca do lendário personagem Seu Madruga.

Dividida em dois atos, a terceira temporada de Revenge teve como arco central a execução do plano de vingança que consistia na inserção de Emily Thorne (Emily VanCamp) dentro da família Grayson, ao se casar com Daniel (Joshua Bowman). Até, finalmente, ocorrer o casório, o roteiro trouxe à tona novos e velhos personagens. No fim, o tal casamento só serviu para estreitar a rixa entre Emily e Victoria (Madeleine Stowe), esta cada vez mais desconfiada da fixação da nora pela família. O segundo ato foi marcado não por uma inserção e sim a imersão de Emily em seu próprio plano e suas consequências. Pela primeira vez, Emily se mostrou vulnerável psicologicamente.

O emaranhado de personagens numa trama que volte e meia é reaquecida como comida no microondas, ainda conseguiu o feito de manter o ritmo eletrizante das outras duas temporadas. Ainda apostando em personagens que surgem do nada — a maioria é algum parente, como mãe, filho ou irmão — o seriado segue com seu roteiro cercado de absurdos tecnológicos, violência e muita dedicação em fazer um novelão de qualidade.

Revenge é uma série superficial, mas isso não a faz ruim. Séries boas, além de manter uma qualidade fenomenal de atuação, diálogos e o desenvolvimento da premissa, precisa também segurar a atenção. E isso a série de vingança é profissional. Óbvio que ninguém é louco de comparar Revenge com séries de porte como Breaking Bad ou Mad Men, e ela nem almeja isso, porém é uma das séries da TV aberta mais divertidas e influentes do momento.

Seu dinamismo unido ao tom descompromissado da lógica dos fatos mostrados é o que garantem um suspense de primeira. Revenge fica mais interessante quando comparada à uma novela. O tom é novelesco, assim como as atuações. Tudo remete ao bom e velho folhetim. O exagero do roteiro — sério que David Clarke está mesmo vivo? — e as situações forçadas — Victoria Grayson agora está “louca” e nas mãos da ex-nora, mesmo sendo uma mulher tão poderosa e famosa (cadê seus filhos?) — são o que garantem a intensidade da série.

Todavia, nem tudo dá para salvar. Caminhando de forma estranha e adiando mais uma vez o fim, Revenge pode acabar não só se afundando em sua enrolada trama, mas se transformar de vez em uma caricatura, sem qualquer sentido. As duas covas prometidas no início ainda não foram cavadas, entretanto, muitas ao redor foram feitas para enterrar os personagens trazidos com a intenção de dar algum volume e mais voltas na trama. Que uma dessas covas não seja a da própria série.