E o Jet Lag?

Depois de dormir por 12h, claro que você não sente mais o cansaço e a confusão do jet lag, certo? Errado!
É, eu também pensei que no meu segundo dia tudo seria lindo e eu estaria por aí, saltitante e descansada, mas a verdade é que viajar no tempo cansa, e cansa muito.
Hoje acordei por volta das 8h da manhã e tomei café aqui no hostel. Aliás, esse hostel que escolhi para os meus primeiros dias é bem bacana, super recomendo pra quem estiver vindo pra Califa. Se chama USA Hostel; tem aqui em San francisco, San Diego e Hollywood. Super limpo, organizado, com um staff simpático e prestativo e atividades todos os dias para os hóspedes. Sem contar o café da manhã e wifi grátis, pode parecer bobeira, mas quem é mochileiro sabe bem que não são duas coisas que costumam ser gratuitas. E quem não gosta de economizar, não é mesmo?! Quem quiser conferir é só clicar.
Bom, então tomei café e comecei a resolver algumas pendências. De repente me vejo com fome de novo, estranhei. Pra quem não me vê há algum tempo, tô super magrinha e quase não como, então achei muito curioso sentir fome tão rápido, visto que tomei um bom café, com panquecas (eu que fiz!!!), bagel com cream cheese e suco. Pensei duas vezes antes de me render a gula, mas como estou precisando ganhar uns quilinhos resolvi procurar algo pra comer. Quando olhei o relógio já eram 13h! Não sei exatamente o que aconteceu, só sei que 5 horas passaram voando e eu nem me dei conta.
Me chamei de lerda, reclamei sozinha comigo mesma que mais um dia tava passando e meus planos dourados pros 4 dias livres antes de começar a estudar estavam indo por água abaixo. Pensei melhor e parei de reclamar, afinal eu terei muito tempo pra conhecer esse estado, e um dia de mau humor sim é um dia perdido. Fui logo então achar algo para comer e agradeci pela comida. No caminho do restaurante pro hostel vi três locais onde faziam massagens e pensei no quão feliz eu gastaria meu dinheiro em troca de um bom shiatsu. Me dei conta nessa hora de que meu corpo inteiro ainda reclamava das horas passadas na classe econômica de 3 vôos. Ainda sentia a dor da musculação de carregar as malas sozinha e também a dor do tombo. Esqueci de mencionar que a minha chegada ontem foi bem típica, eu e minha mala imensa rolamos as escadas do hostel. Ainda bem que eram poucos degraus e que eu não tenho mesmo vergonha dessas coisas, porque a cena foi ridícula! Eu ri de mim mesma, não teve como.
Mas por fim, resolvi deitar um pouco ao invés de gastar uns muitos dólares com um massagista. Deitei e fui terminar de resolver minhas coisas. Comecei uma saga com o Banco, que cancelou meu acesso ao internet banking depois de eu ter entrado utilizando uma página de rosto fraudulenta sem perceber. Aí foi mesmo uma epopéia passando por todos os meios de comunicação, telefone, e-mail, chat e até o skype com um celular no viva-voz do outro lado da linha, invencionices na tentativa de solucionar. Ficou pra segunda e eu fiquei por aqui, o dia todo, com a minha dor, e minha lentidão.
Conversei com as meninas do meu quarto sobre o cansaço e essa lerdeza pós vôo, todas elas levaram pelo menos 3 dias pra se acostumar bem com a diferença e então fiquei mais tranquila.
Aliás, adoro essa coisa de dividir o quarto com pessoas desconhecidas! Todas elas estão viajando sozinhas e é muito bacana ouvir suas histórias.
Quando cheguei aqui só tinha uma cama ocupada, dentre as 3 disponíveis além da minha. Olhei no papelzinho e dei risada quando vi o nome da minha vizinha, Olha. Sim Olha é o nome dela mesmo, vocês não leram errado e eu escrevi certo. Olhaaaaa. Ri sozinha. Pensei em várias piadas. E lamentei que nenhuma faria sentido pra ela então não adiantava contar. Ela é da Ucrânia, mas mora há alguns anos em New York e veio passar uns dias aqui. Mas na verdade se pronuncia Olga. Estranhamente se escreve mesmo Olha! Depois chegaram as outras, uma da China, que tem o sobrenome Cão e outra da Hungria, que tem nome normal. Todas três muito simpáticas e agradáveis. Falam bem o inglês, exceto a húngara, que troca um pouco as palavras mas dá pra entender o que ela quer dizer.
Hoje quando ela me viu no quarto só olhou pra mim e disse: Jet Lag, isn’t it? Eu confirmei com a cabeça e um olhar cansado, quando ela me disse que viajou 30 horas até aqui! Nessa hora pensei que não podia mesmo reclamar das minhas 18 horas. Todas 3 levaram alguns dias se adaptando ao horário, exceto minha amiga ucraniana, que tava mais perto que a gente, embora pra ela também não tenha sido tão fácil quanto imaginei.
Contei pra elas que não tinha feito nada hoje e estava sem pique para fazer. Elas me acalmaram com um bom e velho don’t worry, e me disseram que já já eu me acostumo. Será que a idade ajuda? Não lembro de sofrer tanto com o jet leg quando fui pra África do Sul…
Bom, mas já que terei tempo de sobra para ver essa linda cidade, sem crise, vou descansar o necessário e atender ao pedido do meu corpo. Afinal meu objetivo aqui é estudar e ganhar espaço no mercado de trabalho, e não exatamente o turismo, mas claro que o farei, afinal sou assim, consigo acumular bem essas duas funções! E só se vive uma vez, então vamos aproveitar essa vez mesmo, do jeito que o universo nos oferecer!
Amanhã de manhã farei uma caminhada pela cidade com minha amiga húngara e mais alguns hóspedes, uma atividade organizada pelo hostel. Amanhã também teremos festa por aqui, it’s sturday night, eles fazem a festa e ainda pagam os drinks! Quem bebe aproveita, quem não bebe, como eu, só observa. No fim todo mundo se diverte quem fica bêbado, ri porque tá bêbado e quem tá sóbrio ri de quem tá bêbado! Sempre com respeito, claro!
Por hoje acho que é só. 21h40 e eu indo dormir… Quem diria…
Até as próximas histórias pessoal!

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